Quarta-feira, 01/07/26

Dólar, Bolsa e juros futuros fecham em queda, com dados de emprego do Brasil e dos EUA em foco

Dólar, Bolsa e juros futuros fecham em queda, com dados de emprego do Brasil e dos EUA em foco
Dólar, Bolsa e juros futuros fecham em queda, com dados – Reprodução

FOLHAPRESS

O dólar fechou em queda de 0,17% nesta terça-feira (30), cotado a R$ 5,163, com dados de emprego do Brasil e dos Estados Unidos em foco.

A moeda oscilou entre os sinais durante boa parte do dia, indo de R$ 5,201 na máxima a R$ 5,163 na mínima. As cotações foram afetadas pela formação da Ptax de fim de mês, uma taxa calculada pelo Banco Central que serve de referência para a liquidação de contratos futuros.

Já a Bolsa firmou queda logo no início da sessão, ainda que tenha reduzido as perdas após a publicação do relatório Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados) à tarde. Fechou em recuo de 0,61%, a 172.024 pontos, depois de ter chegado a 170.538 pontos na mínima.

No mês, o dólar acumulou alta de 3%; o Ibovespa, queda de 1%. O principal índice da Bolsa segue penalizado pela saída de saída de estrangeiros do país, que estão voltando a ações de tecnologia dos EUA e da Ásia em vez de aportar em mercados emergentes.

Dados da B3 registram um saldo negativo de R$ 8,75 bilhões no mês até o dia 26 (excluindo IPOs e follow-ons), embora, no ano, o resultado ainda esteja positivo em R$ 32,88 bilhões.

Já no mercado de juros futuros, o dia foi de queda. A taxa para janeiro de 2027 estava a 14% no fim da tarde, em perda de 0,03 ponto percentual em relação ao fechamento da véspera. Já o vencimento para janeiro de 2035 caía 0,1 ponto percentual, para 14,18%.

Assim como o Ibovespa, os juros foram embalados pelo Caged, que aprofundou as perdas na curva vistas de manhã. Os dados de emprego mostraram que 72,9 mil vagas de trabalho formal foram abertas em maio, o segundo mês seguido que a geração de empregos bate recorde negativo, com o pior resultado para maio desde 2020, ano da pandemia. Em abril, foram geradas 85 mil vagas, também pior resultado em seis anos.

O resultado “aponta para uma perda de fôlego do mercado de trabalho formal”, afirma Vitor Kayo, economista sênior da Nomad.

“Ainda é cedo para tratar esse movimento como tendência consolidada de desaceleração, mas o BC deve olhar o dado com atenção, sobretudo num momento em que o impulso fiscal de ano eleitoral e a desancoragem das expectativas de inflação já preocupam o Copom (Comitê de Política Monetária).”

A leitura é que, com o mercado de trabalho perdendo ímpeto, a pressão inflacionária sobre a economia pode desacelerar, dando espaço para o Copom seguir cortando a Selic e convergir o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) à meta de 3% até o último trimestre de 2027, o horizonte relevante do comitê.

Em paralelo, as vagas de emprego em aberto aumentaram em maio nos Estados Unidos, segundo o relatório Jolts (pesquisa de vagas de emprego e rotatividade de trabalho). As contratações ainda permaneceram fracas, sugerindo que o mercado de trabalho permanece em um patamar estável apesar de três meses consecutivos de forte crescimento.

O aumento foi de 9 mil, chegando a 7,594 milhões no último dia de maio. O relatório oficial de emprego dos EUA para junho, o “payroll”, será divulgado na quinta-feira (2).

Assim como no Brasil, as divulgações ajudam a calibrar as expectativas para a trajetória dos juros dos Estados Unidos. O Fed (Federal Reserve, o banco central norte-americano) baliza as decisões de política monetária a partir de dados de emprego e de inflação. O objetivo é atingir a máxima empregabilidade e convergir o índice inflacionário de referência, o PCE, para a meta de 2% ao ano.

“Um mercado de trabalho aquecido incentiva que os preços ao consumidor fiquem mais altos, o que pode levar o Fed a manter os juros mais altos por mais tempo para controlar essa pressão”, afirma Ian Lopes, economista da Valor Investimentos.

A política monetária dos Estados Unidos voltou aos holofotes após a última decisão do Fed, a primeira com Kevin Warsh à frente do banco central.

Ainda que os juros tenham sido mantidos na faixa de 3,5% e 3,75% ao ano, como amplamente esperado, o mercado interpretou a comunicação dos dirigentes e as expectativas deles para o próximo semestre como “hawkish”, isto é, agressiva no combate à inflação.

No comunicado sobre a decisão, o Fed voltou a defender que pretende “garantir a estabilidade de preços” e “manter reservas amplas no sistema bancário”. O comitê alertou para o momento de “elevada incerteza” causada “em parte pelo conflito no Oriente Médio”.

“O mercado buscava sinais de uma postura mais favorável a cortes, mas Warsh estreou reforçando o compromisso com a inflação e com a credibilidade do Fed. No fim, mais do que a decisão em si, a mensagem mexeu com as expectativas para os próximos meses”, diz Cleiton Souza, sócio-fundador da Private Investimentos.

Agora, segundo dados da ferramenta CME Fed Watch, mais de 80% dos operadores esperam que o Fed suba a taxa de juros no encontro de setembro.

Juros mais altos nos Estados Unidos são uma má notícia para investimentos em todo o mundo. Quanto maior a taxa, pior para ativos emergentes, já que a renda fixa norte-americana é considerada um investimento praticamente livre de risco e, com os Fed Funds em alta, exibe retorno atrativo.

De pano de fundo, o mercado ainda monitora o andamento das negociações entre Estados Unidos e Irã, que tentam sustentar uma trégua ainda frágil no Oriente Médio.

Equipes de negociação dos dois países deveriam chegar a Doha nesta semana, mas o Irã informou na segunda-feira que nenhuma reunião entre as partes havia sido agendada.

O final de semana foi marcado por ataques mútuos entre Teerã e Washington, apesar do memorando de entendimento assinado em 17 de junho. A escalada militar foi freada ainda no domingo, quando uma autoridade norte-americana afirmou que os dois países haviam concordado em suspender as hostilidades e retomar as negociações.

O petróleo Brent tinha perdas leves de 0,6% nesta sessão, a US$ 73,4 o barril.


T LB

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *