O ministério do ensino requer muito mais que boa vontade: exige conhecimento das Escrituras, preparo teológico, didática e o dom de ensinar. As Escrituras mostram que o dom de ensinar é uma vocação específica, fundamentada em conhecimento, responsabilidade e compromisso com a correta interpretação da lição em que descreve a Palavra de Deus,
Em princípio, não é o cargo de obreiro que, por si só, garante a mesma capacidade de um professor bíblico.
Um obreiro exerce uma função importante na igreja, auxiliando no trabalho ministerial, no atendimento aos membros e nas atividades da congregação. No entanto, ministrar uma aula bíblica exige, além da fé e do compromisso cristão, preparo específico, conhecimento das Escrituras, didática, capacidade de interpretar textos no contexto histórico e teológico e habilidade para transmitir o conteúdo de forma clara.
Da mesma forma, também não se pode afirmar que todo professor esteja automaticamente mais preparado apenas por ocupar esse cargo. Há uma necessidade profunda de conhecimento bíblico e grande experiência no ensino, principalmente quando o Ministério de ensino está em processo de desenvolvimento.
Em muitas igrejas, a função de professor da Escola Bíblica é confiada a pessoas que receberam treinamento para ensinar, enquanto o obreiro pode desempenhar outras responsabilidades. Em outras denominações, um mesmo membro pode acumular as duas funções.
A diferença entre o obreiro (Pregador da Palavra) e o Professor (Mestre no ensino da Palavra), é que o dom do obreiro se aplica no Emocional das pessoas. Já o professor, através desse dom, tem a incumbência de estimular o intelecto das pessoas.
O Obreiro ao ler um texto sem a devida habilidade de discernir o contexto da lição, ele usa da pregação, com o intuito de emocionar aos alunos, a interpretar sua pregação em cima da lição, como uma boa aula.

O professor da Escola Bíblica exerce um papel que vai muito além da simples leitura do texto da lição. Ao apresentar o conteúdo, ele estimula o intelecto dos alunos, conduzindo-os a compreender cada passagem das Escrituras de forma organizada, criteriosa e contextualizada. Seu objetivo é levar a classe a refletir sobre o significado do texto, analisando seus detalhes, sua aplicação prática e sua mensagem central.
Para isso, o professor utiliza conhecimentos didático-pedagógicos que lhe permitem transformar um conteúdo, muitas vezes complexo, em uma explicação clara, objetiva e acessível. Ele organiza as ideias, contextualiza os fatos históricos e culturais, esclarece termos e conceitos e incentiva a participação dos alunos por meio de perguntas e reflexões.
Além de transmitir informações, o professor interpreta o texto à luz dos princípios da hermenêutica e da exegese bíblica, evitando interpretações superficiais ou isoladas. Dessa forma, conduz os alunos a compreenderem a verdadeira intenção do autor sagrado e a aplicarem os ensinamentos bíblicos à vida cristã.
Assim, o ensino bíblico eficiente não depende apenas da leitura da lição, mas da capacidade do professor de comunicar, explicar e orientar o aprendizado. Quando alia conhecimento bíblico, preparo pedagógico e sensibilidade espiritual, o professor contribui para que todos compreendam corretamente a Palavra de Deus e cresçam em conhecimento, fé e maturidade cristã.

Portanto, ser obreiro não torna alguém automaticamente apto para ministrar uma aula bíblica com a mesma competência de um professor. A capacidade para ensinar depende de fatores como:
Conhecimento das Escrituras;
Dom ou vocação para o ensino;
Preparo teológico;
Didática e habilidade de comunicação;
Experiência no ensino.
A própria Bíblia faz distinção entre os diferentes dons e ministérios. Em Efésios 4:11, são mencionados diferentes chamados, incluindo pastores e mestres (professores). Já em Tiago 3:1, há uma advertência de que nem todos devem querer ser mestres, pois essa função envolve maior responsabilidade.
Assim, do ponto de vista bíblico e prático, o critério principal não é o título de obreiro, mas o chamado, o preparo e a capacidade de ensinar fielmente a Palavra de Deus.
Vital Furtado, parta o Correio de Santa Maria








