Quarta-feira, 08/07/26

Pergunta feita após o culto trouxe à memória uma trajetória de mais de cinco décadas no jornalismo.

Reprodução

Não que o irmão quisesse me testar, e sim, por admiração na simplicidade de minha pessoa, em relação a seriedade nas matérias por mim produzidas.

PorVital Furtado.

Ao término do culto de doutrina realizado na noite desta terça-feira (07/07), um irmão em Cristo aproximou-se de mim e fez uma pergunta simples, mas carregada de admiração e curiosidade: “Os textos que você publica são realmente de sua autoria ou você reproduz conteúdo de outras pessoas?’ perguntou. A resposta foi imediata e serena: “Todos os artigos, comentários e crônicas que assino são fruto do meu próprio trabalho”, expliquei.

Essa convicção tem origem em uma trajetória iniciada em 10 de outubro de 1974, quando ingressei profissionalmente no jornalismo. Ao longo dos anos, tive o privilégio de trabalhar e aprender com alguns dos maiores nomes da imprensa do Distrito Federal, entre eles Gilberto Amaral (saudoso), Ari Cunha (saudoso), Afonso Fabre (saudoso), Wilson Oliveira, Fausto Faria (saudoso), o Gauchão Nilson Nelson (falecido em 26 de julho de 1987) e Hélio Doyle (JBr), profissionais que marcaram época e ajudaram a construir a história da comunicação brasiliense.

Ao lado desses mestres, compreendi que o verdadeiro jornalista jamais pode informar sem antes estar profundamente informado. Aprendi que cada reportagem exige pesquisa, responsabilidade, apuração rigorosa e compromisso com a verdade. Essa foi uma das maiores lições transmitidas por profissionais que encaravam o jornalismo como uma missão de interesse público, e não apenas como um ofício.

Outra lição inesquecível veio de Gilberto Amaral e de seu Ari Cunha. Ambos defendiam que um texto jornalístico precisava ser produzido com técnica, sentimento e autenticidade. O jornalista deveria escrever como quem presencia os fatos, transmitindo ao leitor a intensidade do momento vivido, sem renunciar à objetividade. Seu Ari Cunha costumava ensinar que “quando o jornalismo é exercido com total profissionalismo, torna-se naturalmente respeitado”, princípio que procurei levar para toda a minha carreira.

Foi seguindo esses ensinamentos que desenvolvi um estilo próprio de escrever, procurando dar vida às palavras sem abandonar o compromisso com os fatos. Sempre procurei produzir textos que refletissem seriedade, responsabilidade, sensibilidade e dedicação integral ao exercício da profissão. Ao longo dos anos, esse trabalho contribuiu para que eu conquistasse o respeito de colegas, fontes e leitores em diferentes regiões do Distrito Federal.

A formação recebida na década de 1970 também trouxe um ensinamento que permanece atual: o jornalista deve preservar sua independência intelectual e jamais permitir que o ativismo ideológico se sobreponha ao compromisso com a informação. Meus mestres insistiam que a credibilidade é o patrimônio mais valioso de um profissional da imprensa e que ela somente é construída quando a verdade, a ética e o profissionalismo permanecem acima de qualquer interesse.

Por isso, quando alguém pergunta se os textos que escrevo são realmente meus, respondo com tranquilidade e gratidão. Cada linha escrita carrega não apenas a experiência acumulada em mais de cinquenta anos de jornalismo, mas também os ensinamentos de uma geração de profissionais que fez da informação um compromisso com a sociedade e transformou o jornalismo em uma verdadeira escola de responsabilidade, ética e dedicação.

Vital Furtado, para o Correio de Santa Maria

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