Sexta-feira, 10/07/26

Baixa adesão trava ampliação da vacina contra gripe no Distrito Federal 

Baixa adesão trava ampliação da vacina contra gripe no Distrito Federal 
Baixa adesão trava ampliação da vacina contra gripe no Distrito – Reprodução

A vacinação contra a gripe (Influenza) no Distrito Federal segue restrita a grupos prioritários. A Secretaria de Saúde (SES-DF) reforçou nesta quinta-feira (09) que não há previsão para liberar a imunização para o público em geral. A campanha segue as orientações do Ministério da Saúde.

A pasta ressalta que, devido à baixa cobertura vacinal entre os grupos específicos, a orientação é manter a imunização restrita aos públicos prioritários: crianças de 6 meses a 5 anos, gestantes, idosos a partir de 60 anos, pessoas com deficiências ou doenças crônicas, além de trabalhadores da saúde e profissionais de áreas específicas.

O Ministério da Saúde afirma que monitora rigorosamente os estoques e as reservas de imunizantes. Dados do Sistema de Informação de Insumos Estratégicos (SIES) indicam que o Distrito Federal conta hoje com 208.010 doses da vacina, sendo 99.570 armazenadas na Gerência de Rede de Frio (GRF), responsável por toda a logística dos imunobiológicos no DF, enquanto outras 108.440 estão disponíveis para aplicação em Unidades Básicas de Saúde (UBS), hospitais e núcleos de vigilância epidemiológica.

A cobertura vacinal contra a Influenza está em 41,7%. A maior adesão foi registrada entre as gestantes, com 50,7%, seguidas pelos idosos, com 45,2%, e pelas crianças, com 32,8%. O objetivo da Secretaria de Saúde é alcançar a meta de 90% de cobertura, o que corresponde a 1.183.796 pessoas imunizadas. 

A SES-DF reforça a necessidade de vacinação em 2026, mesmo para quem já se imunizou em anos anteriores. Como o vírus da gripe sofre mutações, a vacina de 2026 foi atualizada para proteger contra três variantes do vírus em circulação: Influenza A/Missouri (H1N1), Influenza A/Singapore (H3N2) e Influenza B/Austria (linhagem Victoria).

Na fila para vacinação

Morador de Sobradinho I, o analista administrativo Gustavo Gomes, de 25 anos, aguarda a abertura do calendário para novos grupos. Com o hábito de se imunizar anualmente, o jovem destaca que a vacina é, para ele, uma fonte essencial de tranquilidade e segurança. “Todos os anos me vacino. Ajuda a trazer tranquilidade no dia a dia. Apesar de alguns efeitos colaterais, a longo prazo a vacina é muito eficaz.”

Para Gustavo, a prioridade dada aos grupos de risco é compreensível, mas ele não esconde a insatisfação com o cronograma. O analista aponta que, passados três meses de espera, a falta de avanço para a população em geral gera desconforto.

“É muito ruim que não ampliem a vacinação para outros grupos. É uma vacina que já tomamos há bastante tempo, então o mínimo que esperamos é que as doses estejam disponíveis para toda a população, ainda que de forma gradativa. Entendo que o público de risco deva ser priorizado, mas a vacinação precisa ser liberada para todos o quanto antes.”

O designer gráfico Felipe Caian, 29, morador do Guará I, mantém o costume de se vacinar anualmente desde pequeno. A motivação vem do cuidado com a avó, que possui comorbidades. Como forma de incentivá-la, a família faz questão de se vacinar em conjunto durante o período da campanha contra a gripe. 

“Minha família sempre se junta para vacinar, então eu diria que na minha vivência, a vacinação é natural e inegociável. É um cuidado que temos não apenas com a gente, mas também com nossos familiares e amigos”, destaca.


Felipe destaca que, ao lado da esposa, a psicóloga Bianca Cruvinel de Souza, aguarda apenas a liberação da Secretaria de Saúde para buscar a imunização deste ano em uma das UBS do Guará.

Maria Eduarda Muraro, de 22 anos, lamenta a demora na ampliação da vacinação para o público geral. A moradora do Jardim Botânico, que aguarda desde o início da campanha no primeiro trimestre, ressalta que a abertura do calendário é essencial para conter a propagação da Influenza pelo Distrito Federal.

“Acredito que já deveria ter sido disponibilizado, com toda certeza. Até para reduzir o risco de proliferação. Quanto mais gente estiver imunizada, menos o vírus se espalha. Todos deveriam ter esse direito.”

Especialistas reforçam a importância da vacina

Ana Carolina Hungria Xavier, fisioterapeuta respiratória e gestora da clínica Respirar & Crescer Fisioterapia Pediátrica, detalha como o sistema imunológico responde à infecção pelo vírus Influenza, especialmente sob as condições climáticas de Brasília, marcadas pela baixa umidade e pelo ar seco.

Quando o vírus Influenza entra no organismo, ele desencadeia uma resposta inflamatória importante para combater a infecção. Em períodos de baixa umidade e ar seco, comuns no inverno, as vias aéreas ficam mais ressecadas e o muco perde parte da sua capacidade de reter e eliminar vírus e partículas inaladas. Além disso, o funcionamento dos cílios, pequenas estruturas responsáveis por ‘varrer’ secreções e microrganismos para fora do pulmão, também fica menos eficiente”, explica.

A especialista ressalta que tais fatores favorecem a instalação do vírus e elevam o risco de complicações respiratórias, sobretudo em crianças, idosos, gestantes e pacientes com doenças crônicas. É justamente por esse agravante que a Secretaria de Saúde estabelece a priorização desses grupos na campanha de vacinação.

“Nesses pacientes, a Influenza pode evoluir para pneumonia e insuficiência respiratória, tornando a vacinação e as medidas de prevenção ainda mais importantes”, conta.

O risco de um surto intenso aumenta significativamente à medida que a cobertura vacinal no DF permanece abaixo da meta definida pela Secretaria de Saúde. O alerta é de Henrique Valle Lacerda, infectologista do Hospital Brasília, que reforça a preocupação com os meses de maior circulação viral.

“A gravidade depende também da cepa predominante, da procura por atendimento, do início precoce de antivirais em grupos de risco e da capacidade da rede de saúde. Mas a baixa vacinação significa mais pessoas vulneráveis ao mesmo tempo, o que favorece aumento de casos e internações”.

O infectologista detalha a necessidade de atualização anual das vacinas contra a Influenza e esclarece os motivos pelos quais as fórmulas variam a cada temporada. “A vacina da gripe precisa ser atualizada todos os anos porque a influenza muda suas proteínas de superfície, alvo da resposta imune. A composição vacinal é revista anualmente conforme os vírus em circulação e as cepas mais prováveis para a próxima temporada. Além disso, a proteção diminui com o tempo, o que reforça a necessidade da vacinação anual”, explica.

O especialista reforça que, embora a imunização não impeça a infecção, ela é fundamental para preparar o sistema imunológico e prevenir complicações mais graves da doença. “Mesmo quando a pessoa vacinada pega gripe, a vacina continua sendo decisiva porque reduz principalmente o risco de doença grave. Ela prepara o sistema imunológico para responder mais rápido, diminuindo a replicação viral, a inflamação e as complicações, como pneumonia, descompensação de doenças crônicas, internação e óbito”, complementa.

A lista completa dos grupos de risco e os locais de vacinação pode ser consultada no site da Secretaria de Saúde.

T LB

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