As novas praças de pedágio eletrônico do sistema Anchieta-Imigrantes começam a cobrar tarifa no próximo dia 1º de agosto, um mês após o previsto inicialmente. A confirmação é da Artesp (Agência de Transportes do Estado de São Paulo).
As duas estradas são ligações da Baixada Santista com a cidade de São Paulo. Também é o principal acesso ao porto de Santos.
Os pórticos foram instalados no km 33 da Via Anchieta e no km 29 da Imigrantes, em ambos os sentidos. Por enquanto, eles não cobram a tarifa.
As estruturas substituirão as atuais praças de pedágio com cabines, localizadas no km 31 da Anchieta e no km 32 da Imigrantes, que serão desmobilizadas.
Pelo modelo free flow, em vez de pedágio com cancela, são usados pórticos com câmeras capazes de identificar as placas de veículos em movimento ou o sinal das tags (do mesmo tipo usado em pedágios convencionais e estacionamentos de acesso sem parada).
Para veículos com tags válidas, a cobrança é feita automaticamente pela operadora contratada.
Quem não conta com esse dispositivo colado no para-brisa tem até 30 dias para fazer o pagamento.
Responsáveis pelas rodovias devem criar canais digitais, como sites e aplicativos, ou mesmo locais físicos, para que o usuário consiga proceder ao pagamento do pedágio.
Em São Paulo, o site Siga Fácil unifica os pagamentos.
Ao contrário de outras estradas com pedágio eletrônico no interior do estado, não haverá desconto para quem fizer o pagamento por meio de tags.
Outra mudança no sistema Anchieta-Imigrantes é que a tarifa existente hoje apenas no sentido do litoral passará a ser cobrada nos dois lados das estradas, tanto para quem desce quanto para quem sobe a serra.
Com reajuste no último dia 1º, o pedágio no sistema Anchieta-Imigrantes passou para R$ 40,60. Assim, será cobrado o valor de R$ 20,30 para cada sentido. Motos continuam isentas de pagamento.
Segundo Raquel Carneiro, diretora da Artesp, a cobrança bidirecional beneficiará, principalmente, caminhões que descem com carretas carregadas e voltam vazios do porto de Santos, ou seja, pagarão tarifas menores por estarem com menos eixos. Atualmente o preço é cheio, pois envolve os dois sentidos.
Os pórticos de free flow foram instalados em fevereiro passado, com a expectativa de que começassem a cobrar tarifa em 1º de julho, mas o início de operação foi adiado para que a concessionária Ecovias Imigrantes, responsável pela gestão da estrada, pudesse avaliar o perfil dos veículos que passam pelas duas estradas.
De acordo com a concessionária, 93% dos veículos comerciais que passaram pelos dois pórticos nesse período de experiência tinham tag ativa. No caso dos de passeio, o percentual foi de 71%.
Os testes para validação de tecnologia e processos operacionais começaram no fim de maio.
As câmeras instaladas nos novos pórticos realizam a leitura das placas dianteiras e traseiras em todas as faixas da rodovia, inclusive de veículos em alta velocidade, em neblina ou tráfego intenso.
O equipamento ainda confere o peso do veículo, suas características, registra as placas e pode fornecer os dados para o programa Muralha Paulista, sistema estadual de monitoramento por câmeras.
No mês passado, uma carreta-cegonha bateu em um pórtico de segurança do novo pedágio eletrônico da rodovia Anchieta. Ninguém se feriu.
A estrutura, chamada de dispositivo de sacrifício, fica a cerca de cem metros do free flow e serve para proteção do pórtico eletrônico.
O pórtico do pedágio eletrônico tem uma altura de 6,10m e o de sacrifício, por padrão, é um pouco mais baixo, com 5,80 m.
As praças de pedágio atuais também são usadas para reter os veículos quando há neblina acentuada na região da serra do Mar e é implantada operação comboio -motoristas são obrigados a seguir carros da Polícia Militar Rodoviária que ditam a velocidade do percurso.
Com o pedágio de passagem livre, a concessionária vai adotar um sistema virtual para controlar o trânsito durante neblina com a instalação de sensores eletrônicos nos trechos críticos.
Por meio de inteligência artificial, eles vão acionar sinalização e luzes para controle de velocidade quando a má visualização for identificada.
Conforme a diretora da Artesp, a partir de um estudo encomendado à USP (Universidade de São Paulo), ficou definido que a sinalização fluorescente de solo será verde limão para ter melhor visualização em caso de neblina severa.
As atuais praças de pedágio devem ser demolidas em duas etapas até o fim do ano. Enquanto a retirada não começa, os veículos passarão pelas cabines sem cobrança e com cancela levantada.
No início, uma parte da estrutura será mantida como barreira de retenção dos veículos para operação comboio no caso de neblina, enquanto o sistema virtual não estiver consolidado. “Há países como Holanda e Itália que usam esse modelo”, diz Carneiro.
A Artesp ainda não tem uma estimativa de eventual redução no tempo de viagem e congestionamentos com o fim das filas no pedágio, principalmente em feriados prolongados, com alta demanda de pessoas rumo à Baixada Santista.
No último fim de ano, mais de 1,4 milhão de veículos desceram para o litoral no último fim de ano pelo sistema, entre os dias 19 de dezembro e 5 de janeiro.
O valor total da mudança no sistema de pedágio não foi informado. Em fevereiro, a Artesp estimou que cada pórtico custaria de R$ 15 milhões a R$ 20 milhões, fora as alterações estruturais.








