A situação continua tensa no Estreito de Ormuz, onde um navio foi atingido por um projétil, apesar do otimismo do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que afirmou que as negociações com o Irã avançam e que a estratégica rota marítima poderia ser reaberta nesta terça-feira (4).
Teerã negou qualquer diálogo, mas o presidente americano insistiu, na segunda-feira, que as negociações estavam em curso.
“Esta é a última oportunidade que eles têm para assinar um bom documento”, declarou Trump à imprensa na Casa Branca, antes de garantir que a reabertura do Estreito de Ormuz poderia acontecer “literalmente amanhã” (terça-feira).
No que se tornou um padrão recorrente, na semana passada o presidente americano ameaçou bombardear o Irã, antes de voltar atrás repentinamente e assegurar, no domingo, que as negociações com Teerã seriam retomadas na segunda-feira.
“Atualmente não estamos negociando com os Estados Unidos. Nossas negociações são com Omã para garantir a passagem pelo Estreito de Ormuz”, declarou o porta-voz da diplomacia iraniana, Esmaeil Baqaei.
O porta-voz afirmou que um acordo estava próximo com Omã, que fica do outro lado do Estreito de Ormuz, para reabrir a rota crucial para o comércio mundial de petróleo e gás.
A passagem está bloqueada pelo Irã desde o início da guerra, com os bombardeios americanos e israelenses contra a República Islâmica em 28 de fevereiro.
Ao mesmo tempo, os rebeldes houthis do Iêmen anunciaram nesta terça-feira um ataque contra um aeroporto da Arábia Saudita. O movimento pró-Irã havia bloqueado previamente a passagem de navios sauditas pelo Mar Vermelho, que servia como rota alternativa para o escoamento dos combustíveis do maior produtor mundial de petróleo.
“Rendição total”
O Irã afirmou que a situação em Ormuz não voltará a ser como antes da guerra, quando havia livre navegação, e que vai autorizar apenas uma rota de trânsito ao longo de suas costas. Também cogita cobrar um pedágio pela passagem, algo rejeitado por Washington.
“Estamos a ponto de alcançar um acordo sobre uma rota aceitável para ambas as partes — nem a rota do norte nem a do sul —, respeitando os direitos soberanos de cada país e garantindo nossos interesses nacionais e nossa segurança”, declarou Baqaei.
O estreito foi reaberto por alguns dias após a assinatura de um protocolo de acordo em junho entre Washington e Teerã, que permitiu a saída de vários navios bloqueados durante meses e a gradual normalização do trânsito marítimo.
Mas o Irã voltou a endurecer sua posição com o bloqueio do estreito após a retomada dos ataques americanos.
Durante a noite de segunda-feira, um cargueiro foi atingido por um “projétil desconhecido”, segundo a agência britânica de segurança marítima UKMTO, que inicialmente não relatou feridos nem danos à embarcação.
Trump, no entanto, afirmou na segunda-feira que o estreito estava “totalmente controlado” pela Marinha americana e advertiu que o bloqueio imposto aos portos iranianos só será suspenso em caso de “acordo” ou de uma “rendição total”.
“Mentira”
Ao anunciar a retomada do diálogo, Trump afirmou que atendeu a um pedido de Teerã, com “apoio” da Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar.
O Irã negou ter apresentado qualquer pedido e chamou as “acusações” do presidente dos Estados Unidos de uma “nova mentira”.
Trump reagiu em sua rede Truth Social e criticou a “incrível hipocrisia” dos líderes iranianos.
“Quer o Irã admita ou não, estamos conversando sobre a solução de um problema que eles causaram durante décadas”, afirmou Trump.
O Catar, um país mediador no conflito, destacou nesta terça-feira esforços para uma solução diplomática para a guerra, mas sem a previsão de um diálogo direto entre Washington e Teerã.
Segundo a imprensa americana, Washington cogitou bombardeios em larga escala no fim de semana, em particular contra infraestruturas de energia iraniana.
Mas Trump disse que desistiu dos novos ataques a pedido dos países da região que, segundo ele, “acreditam que temos um acordo”.








