David Ellison, CEO da Paramount, defendeu a fusão de US$ 111 bilhões, ou R$ 560 bilhões, da empresa que comanda com a Warner Bros. Discovery, em artigo de opinião publicado nesta terça-feira (4), no jornal The New York Times.
No texto, o executivo argumenta que as batalhas judiciais que tentam bloquear o negócio não são motivadas por preocupações de concorrência ou canibalização de mercado, mas por disputas em torno do controle editorial e pela desconfiança de opositores quanto à gestão do canal de notícias CNN.
O acordo enfrenta entraves na Justiça após processos movidos por um colegiado de 12 procuradores de estados americanos e pelo sindicato de roteiristas do país. Segundo esse grupo, a fusão vai reduzir a competitividade na televisão e no cinema.
No artigo, Ellison responde que a empresa a ser criada após a fusão controlará menos de 20% da audiência de televisão nos Estados Unidos, enfrentando concorrência de gigantes com recursos significativos de gigantes com recursos significativos, como Netflix, Amazon e Apple.
Além disso, a companhia combinada representaria apenas 18% da bilheteria doméstica de cinema nos últimos 12 meses e 22%, em média, nos últimos dois anos. “Esses não são os números de uma empresa que pode ditar o que o público vê ou quanto os roteiristas recebem”, escreve ele.
Em relação a preocupações ideológicas, o executivo afirmou que a CNN e a CBS News manterão sua autonomia. Ellison garantiu que não usará seu comando para moldar a cobertura jornalística de acordo com suas opiniões ele já doou para candidatos democratas no passado, mas tem se aproximado de Donald Trump, e prometeu que as Redações continuarão comprometidas em servir ao público, não a interesses partidários.
“Tenho votado regularmente em candidatos de ambos os partidos. Tenho algumas opiniões que seriam chamadas de conservadoras e outras que seriam chamadas de liberais, assim como a maioria dos americanos. Acredito que as notícias devem ser baseadas em fatos e verdade”, afirmou.
Ellison se posiciona em meio ao desgaste provocado por um processo movido por um acionista da Paramount, que acusou o CEO e seu pai, o bilionário Larry Ellison, de negociarem um acordo político com Trump para viabilizar a fusão.
A Paramount negou as acusações, reiterando que nenhum compromisso sobre a linha editorial da CNN ou o futuro de seus apresentadores foi firmado com qualquer político ou órgão governamental.
O plano de fusão, segundo Ellison, prevê o lançamento de 30 filmes por ano nos cinemas, a produção anual de 170 temporadas de séries de televisão e um investimento em conteúdo que ultrapassará os US$ 30 bilhões (R$ 153 bilhões) anuais.
O imbróglio na Justiça pode postergar o desfecho da fusão até o ano que vem. Ellison também defende que o resgate da confiança do público no jornalismo e na indústria do entretenimento é indispensável para o setor, afirmando que a soberania das decisões deve pertencer sempre aos espectadores e à audiência.







