Em recuperação após a onda de calotes do agronegócio, o Banco do Brasil teve uma melhora no lucro do segundo trimestre deste ano. O resultado líquido ajustado do banco somou R$ 3,9 bilhões, alta de 3,3% na comparação com o mesmo período de 2025 e elevação de 13,9% na comparação com os três primeiros meses deste ano.
Puxados pelo resultado de tesouraria e de pessoas físicas, os números vieram acima das estimativas de analistas consultados pela Bloomberg, que previam lucro de R$ 3,776 bilhões.
A margem financeira bruta do banco somou R$ 27,5 bilhões de abril a junho, crescimento de 12,1% no ano, impulsionada pelas receitas de crédito, especialmente nas operações com pessoas físicas (15,3%) e nas receitas de tesouraria (16%).
O agronegócio vive uma onda de recuperações judiciais desde 2024, após quebras de safras de grãos em algumas regiões. No verão daquele ano, produtores do Centro-norte, Sudeste e parte do Paraná tiveram uma estiagem prolongada, dado o impacto do El Niño.
A inadimplência desses clientes ficou em 6,27% em junho, alta de 3,11 pontos percentuais
O índice de atrasos acima de 90 dias do banco como um todo subiu para 5,61% em junho, alta de 1,65 ponto percentual em um ano.
Assim, a provisão de perdas esperadas, um dinheiro que o banco empresou e que não conta que irá receber, somou R$ 18,831 bilhões, uma alta anual de 8,4%.
O RSPL (Retorno sobre o Patrimônio Líquido), que mede a rentabilidade do banco, foi de 8,3% no trimestre, 0,1 ponto percentual abaixo do registrado há 12 meses e 1ponto percentual acima do número de março.
A carteira de crédito, que soma todos os empréstimos e financiamentos, ultrapassou R$ 1,3 trilhão em junho de 2026, com crescimento de 0,6% no trimestre e 1,5% em 12 meses.
A linha que teve a maior expansão foi a de pessoas físicas, que alcançou R$ 357,6 bilhões, alta de 4,4% em um ano. O segmento foi impulsionado pelo consignado CLT, que atingiu saldo de R$ 15,7 bilhões.
Empréstimos para pessoa jurídica encerraram o trimestre com saldo de R$ 456,2 bilhões, queda de 2,5% no ano. O crédito ao agronegócio, por sua vez, atingiu saldo de R$ 421,6 bilhões, alta anual de 0,8%.
Segundo a CEO do BB, Tarciana Medeiros,o resultado é fruto de um carteira de crédito com uma melhor relação entre risco e retorno, da diversificação das captações e da alocação da nossa liquidez.
“O aumento das receitas com prestação de serviços ganha potência pela complementariedade do nosso conglomerado e os custos permaneceram sob controle, a partir de um trabalho constante de eficiência, sem abrir mão de investir naquilo que constrói o futuro:pessoas e tecnologia”, disse Tarciana na divulgação dos números.
RAIO-X | BANCO DO BRASIL
- Fundação: 1808
- Lucro no 2º tri de 2026: R$ 3,9 bilhões
- Agências: 3.931
- Funcionários: 83.991
- Principais concorrentes: Itaú Unibanco, Bradesco, Santander, Nubank e Caixa Econômica Federal








