Sexta-feira, 14/08/26

Senado marca 20 anos da Lei Maria da Penha em sessão especial

Senado marca 20 anos da Lei Maria da Penha em sessão especial
Senado marca 20 anos da Lei Maria da Penha em – Reprodução

O Senado realizou nesta quinta-feira (13) sessão especial para celebrar o Agosto Lilás e os 20 anos da Lei Maria da Penha (Lei 11.340, de 2006). A homenagem reuniu autoridades e representantes de instituições que destacaram os avanços conquistados desde a criação da norma e a necessidade de fortalecer as políticas de prevenção, proteção às vítimas e responsabilização dos agressores.

Ao longo da sessão, a senadora Leila Barros (PDT-DF), requerente da homenagem, afirmou que o Agosto Lilás não deve se limitar a uma campanha simbólica, mas representar um compromisso permanente com o acolhimento, a proteção e o enfrentamento à violência contra a mulher. Ela citou medidas como a criminalização do stalking (Lei 14.132, de 2021), o monitoramento eletrônico de agressores e políticas de autonomia econômica.

Em participação virtual, a ministra do Supremo Tribunal Federal (STF) Cármen Lúcia lembrou a trajetória que levou à criação da Lei Maria da Penha e afirmou que a norma se tornou símbolo do combate à violência contra a mulher. A ministra destacou, porém, que a persistência das agressões e dos assassinatos exige mobilização permanente do poder público e da sociedade.

A ministra das Mulheres, Márcia Lopes, também defendeu ações articuladas entre Poderes, estados, municípios e sociedade. Ela citou medidas do Pacto Nacional Brasil contra o Feminicídio, como a agilização das medidas protetivas, a responsabilização dos agressores e a ampliação da rede de atendimento, além de destacar a importância da educação, da autonomia econômica e da participação dos homens nas ações de conscientização.

Também participaram da sessão a presidente do Grupo Mulheres do Brasil, Luiza Helena Trajano, que defendeu a atuação conjunta do poder público, da sociedade civil e das empresas; e a diretora-geral do Senado, Ilana Trombka, que afirmou que o desafio agora é fazer com que os mecanismos de proteção cheguem a quem mais precisa e ajudem a reduzir os índices de feminicídio.

Representantes de órgãos do sistema de Justiça e da segurança pública destacaram avanços institucionais ao longo das duas décadas da lei, como as medidas protetivas de urgência, a criação de redes de atendimento e a incorporação das perspectivas de gênero e interseccionalidade. Ao mesmo tempo, alertaram para desafios que permanecem, entre eles a persistência dos feminicídios, a ampliação da rede de atendimento, a avaliação de risco e a necessidade de políticas que considerem diferentes realidades das mulheres, especialmente negras e indígenas.

Na área da segurança pública, a tenente-coronel Renata Cardoso, da Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF), citou o Policiamento de Prevenção Orientada à Violência Doméstica (Provid), que acompanha 715 mulheres, sendo 320 com medidas protetivas e classificadas em situação de risco extremo.

A sessão também abordou o enfrentamento às violências racial e de gênero. Iyà Sandrali Campos, do Conselho Nacional dos Direitos da Mulher, defendeu a criminalização da misoginia, sem enfraquecimento da legislação antirracista. Já Raquel Branquinho, da Escola Superior do Ministério Público da União (MPU), destacou a importância da Lei 7.716, de 1989, no combate ao racismo e afirmou que não deve haver retrocesso nesse campo.

T LB

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