Acho maravilhoso esses dois exemplos. Tem que ter muito mais disso. Você está falando de uma cidade com 40 mil habitantes e a gente acabou de ver um comercial, um filme que, se fosse filmado com uma grande produtora, 300, 400 mil reais para fazer – sem contar os cachês das celebridades que aparecem. Como é que uma cidade dessa, que quer fazer uma comunicação bacana, quer atingir o público dela, entende como esse consumidor está acostumado a ver as coisas, está acostumado a ver a Ivete Sangalo, ele vai ver um filmezinho super simples? Não. Com a IA você consegue fazer uma comunicação bacana, que alcance as pessoas, que traga um material de qualidade, que seja bonito, para onde nunca teria sido possível com uma cidade que tem 40 mil habitantes. Eu imagino e espero que uma cidade dessa não gaste 500 mil para fazer um comercial. Use para cuidar do saneamento.
Rafael Nasser
Para o CEO, o mesmo raciocínio vale para temas difíceis de registrar com câmera. Ele cita o curta “Dreams of Violets”, exibido no Festival de Tribeca, como exemplo de como a IA pode viabilizar narrativas sobre guerras em que jornalistas não conseguem entrar com segurança.
Como é que você fala sobre uma guerra onde jornalista não entra? Como é que você fala sobre uma guerra onde, se você entrar, você pode morrer? Se você for lá, anotar tudo, pegar as descrições, pegar os depoimentos, como um jornalista, e transformar isso em filme e poder mostrar para o mundo essa verdade que está acontecendo e não está sendo discutida. Que ótimo que outras pessoas também façam essas outras verdades e contem isso. Esse poder da IA de criar conteúdo baseado no nosso conhecimento e chegar numa qualidade que seria muito caro de se fazer é um presente para o mundo.
Rafael Nasser
Diogo Cortiz pergunta se a IA vira uma “democratização” da criatividade e se o mercado de comunicação está olhando só para cortar custos. Nasser responde que a tecnologia pode ser usada para “fazer o impossível” – e que, com mais ferramentas, fica mais difícil se esconder atrás de limitações técnicas.
A IA permite você fazer o impossível. Eu escrevia bem e sou péssimo desenhando. Quando eu fazia algum rabisco, eu falava: imagina que isso aqui é desse jeito. E se a pessoa não entendesse, eu falava: é porque eu não desenho bem. Hoje, não dá para você se esconder através disso, porque você usa a IA para preencher. Então, é uma forma de você ver o máximo da criatividade humana sem desculpa. Usa, falando de comunicação, falando de entretenimento, da publicidade. Conta histórias impossíveis.
Rafael Nasser
Ao “aterrissar” a discussão para a publicidade, Helton Simões Gomes provoca se grandes marcas deveriam usar IA só para refazer fórmulas clássicas de comercial. Nasser diz que a lógica faz sentido para quem não tem recursos, mas que empresas maiores deveriam mirar usos mais ambiciosos, inclusive na etapa de planejamento.








