Sexta-feira, 28/08/26

iFood rebate governo e afirma que entregadores não recebem menos do que o salário mínimo

iFood rebate governo e afirma que entregadores não recebem menos do que o salário mínimo
iFood rebate governo e afirma que entregadores não recebem menos – Reprodução

CRISTIANE GERCINA
FOLHAPRESS


O iFood afirma que nenhum entregador ligado à plataforma recebe valor menor do que o salário mínimo nacional, hoje em R$ 1.621. A afirmação está em documento enviado à Secretaria-Geral da Presidência da República, que responde a questionamento do ministro Guilherme Boulos.

“Nenhum entregador do iFood ganha, por hora, menos do que o salário mínimo horário vigente no Brasil.

Em 2025, o ganho médio por hora trabalhada via iFood foi de R$ 29,652″, diz a plataforma.

Segundo a plataforma, com base no salário mínimo de R$ 1.518 no ano passado, quem teve jornada de 176 horas mensais de trabalho no ano passado ganhou R$ 8,63 por hora trabalhada.

Em 13 de agosto, Boulos foi procurado por entregadores que se queixaram da nova modalidade do aplicativo, o Mais Entregas, que paga valor mínimo entre R$ 3 e R$ 3,50 por entrega, abaixo dos R$ 7 e R$ 7,50 mínimos na modalidade Nuvem. O ministro enviou um ofício à empresa que respondeu aos questionamentos nesta sexta-feira (28).

No documento, o iFood diz que os entregadores do Mais Entregas ganham entre 10% e 30% mais do que os entregadores do modelo tradicional. Isso porque, além do valor mínimo, haveria um pagamento fixo a quem escolhe a modalidade.

Em nota enviada à reportagem, a Secretaria-Geral da Presidência diz que “a resposta do iFood é insuficiente e não esclarece os principais problemas no Mais Entregas apontados pelos entregadores”.

O órgão afirma ainda que desde que o modelo foi implantado recebeu centenas de reclamações dos trabalhadores dizendo que o Mais Entregas impõe um sistema que reduz a remuneração.

“Segundo estes relatos, os entregadores que se recusam a aderir passam a receber menos demandas pelo algoritmo como uma espécie de punição. A falta de transparência das plataformas é um problema crítico e nosso governo tomará medidas rápidas e efetivas para combatê-la”, afirma a Secretaria-Geral.

A modalidade Mais Entregas funciona de forma diferente da chamada Nuvem. Nela, o entregador precisa se cadastrar previamente e escolher um período do dia e um local da cidade onde atua para trabalhar.

Naquele período, ficará no local escolhido e fará as entregas em torno daquela localidade.

Ele recebe menos por entregas, mas o algoritmo direciona ao motoboy mais pedidos, por ter se cadastrado na modalidade. Além disso, há um pagamento de um valor fixo por período, que não foi revelado pela plataforma. Esse valor varia conforme a região da cidade, e tem como base o total de pedidos no local e o tíquete-médio.

Na modalidade Nuvem, o entregador pode trabalhar em qualquer local da cidade, fazendo pedidos com valores mínimos de R$ 7, se for de bicicleta, ou R$ 7,50, se for de moto. Há ainda as entregas agregadas, outro motivo de reclamação da categoria, que pagam valor menor. Ao agregar uma entrega a um pedido inicial, o entregador pode receber menos do que os R$ 7 ou R$ 7,50.

“O Mais Entregas, na prática, faz com que os entregadores trabalhem mais e ganhem menos. Se o entregador não se fidelizar no Mais Entregas, ele não recebe nenhum pedido. Agora, se ele se fidelizar, ele vai receber R$ 3”, diz Boulos em vídeo nas redes sociais no dia em que protocolou o pedido de explicações ao iFood.

“Agora eles inventaram esse modelo para pagar a gente R$ 3, R$ 3,50. É um absurdo esse modelo de negócio que eles inventaram para pagar a gente neste momento”, diz um entregador ao lado do ministro, em frente ao Palácio do Planalto.

Em nota, a empresa afirma que “a adesão à modalidade é opcional e foi concebida como uma alternativa para oferecer maior previsibilidade de demandas e de remuneração aos entregadores parceiros, que podem reservar períodos e regiões de atuação de sua preferência”.

O aplicativo diz ainda que o Mais Entregas tem mecanismos diferentes do modelo Nuvem e não remunera apenas por pedido, com remuneração composta por valor fixo por pedido reservado, valor pago por pedido realizado e eventuais incentivos.

“Também fica garantido um valor mínimo na hipótese de demanda abaixo do esperado proporcional ao cumprimento dos requisitos da modalidade.”

Segundo o iFood, as regras da modalidade e a composição dos ganhos são apresentadas no aplicativo antes da adesão e da reserva de cada período por parte do entregador, o que estaria de acordo com políticas de transparência e com as cobranças feitas pelo ministro.


T LB

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