Quarta-feira, 02/09/26

Petróleo dispara mais de 7% e atinge maior valor desde julho após novos ataques ao Irã

Petróleo dispara mais de 7% e atinge maior valor desde julho após novos ataques ao Irã
Petróleo dispara mais de 7% e atinge maior valor desde – Reprodução

FOLHAPRESS

O preço do petróleo teve uma forte subida na tarde desta terça-feira (1°) após a divulgação de novos ataques dos EUA ao Irã e bombardeios a embarcações que tentavam passar pelo estreito de Hormuz.

O barril Brent, referência mundial, chegou a subir 7,69% por volta das 16h (horário de Brasília), a US$ 95,17 (R$ 494,53). É o maior valor desde 23 de julho, quando a cotação alcançou US$ 95,30.

Já o petróleo WTI (West Texas Intermediate), usado nos EUA, subia 5,36%, cotado a US$ 90,36 (R$ 469,53), por volta das 16h15.

A negociação da commodity teve uma forte alta logo na abertura da sessão às 21h de segunda-feira (31), retornando ao patamar de US$ 91, quando foram anunciados detalhes do acordo entre EUA e Venezuela para exploração do petróleo no país sul-americano pelos próximos 25 anos.

O preço permaneceu na casa dos US$ 91 durante toda a manhã até o anúncio de que dois superpetroleiros com bandeira da Arábia Saudita foram atingidos ao tentar atravessar Hormuz, por onde passavam 20% da produção mundial de petróleo e gás antes da guerra. Por volta das 10h30, o Brent chegou a US$ 92,60 e ficou neste patamar até 13h, quando os ataques dos norte-americanos ao Irã foram anunciados e o preço do barril superou US$ 95.

“Os incidentes quase simultâneos representam uma nova escalada no ambiente de ameaças no corredor de Omã”, informou a empresa de dados da navegação marítima Marisks. De acordo com a Kpler, outra empresa de dados de navegação, cada uma das embarcações carregava 2 milhões de barris de petróleo bruto saudita.

A resposta norte-americana veio no início da tarde com a retomada das ofensivas ao território iraniano. “Hoje, às 12h no horário da costa leste dos EUA (13h em Brasília), as forças norte-americanas começaram a atacar alvos do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica no Irã”, publicou o Centcom (Comando Central dos EUA) no X.

“Os ataques ocorrem após recentes tentativas do CGRI de atingir navios comerciais no estreito de Hormuz e militares norte-americanos destacados para a região”, confirmou o Centcom. Os bombardeios frustraram as esperanças de que a troca de ataques entre domingo e segunda-feira foi pontual.

O presidente dos EUA, Donald Trump, afirmou que o ataque desta terça-feira foi “justificado” pela suposta instalação de minas marítimas no estreito de Hormuz e ameaçou com ataques mais intensos caso Teerã retaliasse.

“Aumentaram as preocupações com interrupções prolongadas nos fluxos de energia pelo estreito de Hormuz”, declarou Ole Hansen, analista do Saxo Bank. Além do petróleo, o preço do diesel também subiu nesta terça, chegando perto do maior nível desde 2022.

Além da situação no Oriente Médio, os negociadores aguardam a reunião entre Trump e grupos petrolíferos marcada para esta terça-feira na Casa Branca.

Marathon Petroleum, Phillips 66, Chevron, Delek US Holdings, PBF Energy e Valero Energy estão entre as empresas chamadas para discutir capacidade de refino e preços, segundo pessoas a par do evento.

“O presidente se reunirá com líderes do setor para colaborar na busca das melhores formas de ampliar a capacidade de refino, liberar ainda mais o domínio energético americano em toda a cadeia de suprimentos e reduzir os preços para o povo americano”, disse Taylor Rogers, porta-voz da Casa Branca.

A menos de três meses das eleições legislativas de meio de mandato, em novembro, o presidente dos EUA enfrenta uma pressão política cada vez maior devido à crise do custo de vida.

A interrupção no fornecimento de petróleo causada pela guerra no Irã e a redução da capacidade global de refino após ataques de drones ucranianos contra instalações russas contribuíram para manter o preço médio da gasolina nos Estados Unidos acima de US$ 4 por galão em agosto, uma alta de quase 30% no último ano.

O preço do diesel, essencial para a indústria e a agricultura dos Estados Unidos, aproxima-se do recorde histórico de US$ 5,80 por galão.

A convocação das refinarias ocorre no momento em que elas registram lucros recordes, com a diferença entre o custo do diesel e o do petróleo bruto, conhecida como “margem de refino”, disparando para US$ 100 por barril.

Em junho, Trump acusou as grandes petrolíferas de praticar preços abusivos e pediu que o Departamento de Justiça investigasse os elevados preços da gasolina.

Apesar da reunião na Casa Branca, analistas disseram que o governo tem pouca margem para influenciar os preços dos combustíveis no mercado interno, uma vez que os grupos petrolíferos já operam suas instalações em capacidade máxima e adiam a manutenção para continuar produzindo combustível sem parar.

Na semana encerrada em 21 de agosto, a utilização das refinarias dos Estados Unidos havia permanecido em 95% ou mais por 12 semanas consecutivas, a maior sequência desde 2000, segundo dados da Administração de Informação de Energia dos Estados Unidos.

Alguns analistas alertaram que o sistema operando no limite deixava o mercado vulnerável a novas interrupções e a aumentos adicionais de preços, a menos que Trump encerrasse o confronto com o Irã.

Refinarias próximas ao Golfo do México, por exemplo, poderiam sofrer paralisações devido a um furacão, elevando ainda mais os preços, disseram os analistas.

“Ele precisa fazer alguma coisa para reduzir os preços da gasolina, mas também não vai simplesmente abandonar a guerra. É a única carta que pode jogar”, comentou Joe DeLaura, estrategista global de energia do Rabobank

Um levantamento da Brown University mostra que, desde o início do conflito, no fim de fevereiro, os americanos pagaram US$ 51,9 bilhões a mais por gasolina do que teriam desembolsado se os preços tivessem permanecido no nível anterior à guerra. Também pagaram US$ 43,1 bilhões adicionais por diesel.


T LB

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