Quinta-feira, 17/09/26

‘Relação institucional’, diz Tarcísio sobre elo com Milton Leite, suspeito em esquema do PCC no transporte

‘Relação institucional’, diz Tarcísio sobre elo com Milton Leite, suspeito em esquema do PCC no transporte
‘Relação institucional’, diz Tarcísio sobre elo com Milton Leite, suspeito – Reprodução

MARIANA ZYLBERKAN, BRUNO RIBEIRO E CARLOS PETROCILO
FOLHAPRESS

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) declarou que sua relação com o ex-presidente da Câmara de São Paulo Milton Leite (União Brasil), alvo nesta quinta-feira (17) de operação policial e mandado de prisão, “sempre foi institucional”, “um relacionamento propositivo, voltado a projetos”.

A declaração foi dada durante agenda em Itapetininga, no interior de São Paulo. Leite é suspeito de integrar esquema de envolvimento do PCC (Primeiro Comando da Capital) com o sistema de transporte público na capital paulista. Ele é considerado foragido pela polícia e negou as acusações em entrevista à Folha de S.Paulo.

Candidato à reeleição, Tarcísio participou no último dia 30 do lançamento das candidaturas ao Legislativo dos filhos de Leite: Alexandre Leite (União Brasil), que disputa uma vaga como deputado estadual, e Milton Leite Filho (União Brasil), como deputado federal.

O encontro ocorreu no bairro de Campo Grande, na zona sul da capital paulista. Tarcísio discursou e abraçou o ex-presidente da Câmara e os filhos. O prefeito Ricardo Nunes (MDB) e o deputado estadual André do Prado (PL), que disputa uma das duas vagas ao Senado por São Paulo, também participaram.

O ex-presidente da Câmara doou R$ 60 mil para as campanhas dos filhos, R$ 30 mil para cada.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, Alexandre Leite afirmou que ele e o irmão suspenderam as agendas de campanha nesta quinta “até a gente conseguir se reestruturar”. “Período eleitoral a gente espera de tudo, mas não esperava isso”, disse o candidato, ao afirmar que soube do pedido de prisão do pai pela imprensa.

“É uma covardia, uma pessoa de 70 anos com uma carreira pública ilibada em um momento como esse, às vésperas da eleição, [sofrer] esse tipo de decisão”, disse Alexandre.

A operação que levou ao mandado de prisão de Milton Leite mira suspeitas de que empresas de ônibus que prestam serviço de transporte coletivo em municípios paulistas passaram a ser administradas por integrantes da facção após a obtenção de licitações.

Há também suspeita de corrupção de funcionários públicos e de envolvimento do PCC no financiamento de campanhas nas eleições para prefeitos e vereadores em 2024, assim como na atual disputa.

Ao todo, 16 pessoas foram alvo das ordens de prisão e há mandados de busca e apreensão em 18 endereços. A ação foi realizada em São Paulo, Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo, Diadema, Santos, Praia Grande e Cubatão.

Leite é considerado figura influente da política paulistana, com eixo de atuação que vem da zona sul da cidade. Ele foi o presidente mais longevo da Câmara desde a redemocratização, comandando o Legislativo da cidade em 2017 e 2018 e de 2021 a 2024 -quando decidiu não disputar um novo mandato de vereador.


T LB

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