Quarta-feira, 23/09/26

Brasil registra 177 processos por violência política de gênero em 2026

Brasil registra 177 processos por violência política de gênero em 2026
Brasil registra 177 processos por violência política de gênero em – Reprodução

O número de processos relativos à violência política de gênero no país chegou a 177 em 2026, segundo o novo painel da Justiça Eleitoral, divulgado nesta terça-feira (22).

De 2019 pra cá, o país acumulou 392 ações judiciais, com origem em 224 municípios, de 21 estados. Atualmente, estão em tramitação 219 processos que envolvem assédio, constrangimento, perseguição ou ameaça a candidatas ou detentoras de mandato eletivo.

Os dados foram divulgados durante a mobilização “Violência Política TEM gênero“, promovida pela comissão TSE Mulheres, em parceria com a Ouvidoria do TSE e a Procuradoria-Geral Eleitoral, na sede da Corte, em Brasília.

A coordenadora da comissão do TSE Mulheres, juíza Renata Gil, ressaltou que o painel ainda está em aprimoramento para identificar todos os casos de violência política de gênero no país e combatê-los.

“Através desse painel, pelo mapa do Brasil, a gente tem condições de saber as ‘ondas de calor’, onde os crimes são cometidos com maior frequência.  E não quer dizer que um Estado não tem ocorrência de violência política. A gente vai poder avançar na pesquisa e entender porque que no Estado não existe um registro de ocorrência e um processo de violência política”.

Durante o debate, a ministra Estela Aranha, do TSE, destacou que esse tipo de violência desestimula a presença de mulheres na política.

“A violência contra a mulher silencia individualmente cada uma dessas mulheres. Essas formas de intimidação, esse construgimento moral expõe a sua família, seus filhos e ela sai da política. Mas ela também atinge a coletividade porque quando as outras mulheres veem isso acontecer, elas vão dizer: ‘por que eu vou entrar na política?  Esse lugar não é para mim’. Até porque quando elas são atacadas, elas têm dificuldade de se defender, de se posicionar. Então você tira as que estão, as que estão tentando e as que poderiam entrar ou pensarem entrar. É muito grave.”

 Samara Martins, da Unidade Popular (UP). Única candidata mulher à Presidência da República em 2026 Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Raquel Branquinho, procuradora regional da República falou sobre a violência de gênero e a baixa representatividade das mulheres nos municípios brasileiros.

“As mulheres são minoria em todos os espaços e todos os parlamentos. Nós temos mulheres sozinhas em câmeras municipais isoladas nesse país que sofrem violências diárias e nós temos mais de 700 municípios sem nenhuma participação política feminina. Nós temos  somente, 16 % de municípios com mulheres prefeitas.”

Ao fim do evento, o presidente do TSE, ministro Kássio Nunes Marques, reconheceu que ainda há trabalho a ser feito quando o assunto é violência política contra as mulheres.

Durante o evento, o TSE e a Procuradoria-Geral Eleitoral assinaram um protocolo de intenções para prevenção e enfrentamento desses casos.

Ouça mais 🎧:

TSE e entidades reforçam combate à violência política contra mulheres


T LB

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *