Terça-feira, 06/10/26

Bancada feminina no Congresso terá o maior tamanho da história

Bancada feminina no Congresso terá o maior tamanho da história
Bancada feminina no Congresso terá o maior tamanho da história – Reprodução

A bancada feminina na Câmara dos Deputados e no Senado Federal será a maior da história, após as eleições que ampliaram o número de mulheres eleitas nas duas Casas Legislativas.

Na Câmara, o número de deputadas eleitas passou de 90 para 109, um crescimento de 21%. O resultado ocorreu apesar da queda no número de candidatas: em 2022, 3.317 mulheres concorreram ao cargo de deputada federal; em 2026, foram 2.820, uma redução de 24%.

No Senado, os brasileiros elegeram 12 mulheres entre as 54 vagas em disputa, o maior número desde a redemocratização. Em 2018, quando também foram renovados dois terços da Casa, oito mulheres foram eleitas. Com o resultado, o número de senadoras passará dos atuais 15 para 18 integrantes no ano que vem.

Apesar do avanço, as mulheres seguem como minoria nas duas Casas. Na Câmara, a bancada feminina representará 21% dos 513 deputados da próxima legislatura. A federação formada por PT, PCdoB e PV foi a que elegeu a maior parcela de mulheres: 34 das 109 eleitas. No Senado, a fatia feminina chegará a 22,2% das 81 cadeiras. As eleitas neste ano tomam posse em fevereiro, com mandatos até 2035.

O Distrito Federal elegeu duas mulheres e, como já tem uma representante, passará a ser a única unidade da Federação com três senadoras mulheres. Já o Piauí segue como o único estado que nunca elegeu uma mulher para o Senado.

Especialistas avaliam, porém, que o aumento no número de parlamentares eleitas não se traduz necessariamente em políticas voltadas para as mulheres. Para a professora de Ciência Política da Universidade de Brasília Flávia Biroli, a maior presença feminina também amplia a diversidade de posições entre as próprias mulheres eleitas, incluindo perspectivas patriarcais e não igualitárias.

A presença de mulheres negras na Câmara também aumentou. Um levantamento da organização Mulheres Negras Decidem contabilizou ao menos 15 mulheres negras eleitas deputadas federais em 2026, alta de 66,6% em relação a 2022, quando foram eleitas nove deputadas negras.

Já no Senado houve recuo: entre as 12 senadoras eleitas, nenhuma é negra. Eliziane Gama, que atualmente ocupa uma cadeira pelo Maranhão e se autodeclara negra, não foi reeleita. Outras duas candidatas negras também perderam a disputa: Mariana Silva, da Rede, em São Paulo, e Benedita da Silva, do PT, no Rio de Janeiro. Benedita foi a primeira mulher negra eleita para o Senado, em 1998. Até hoje, apenas quatro mulheres negras foram senadoras.

T LB

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