Sexta-feira, 13/03/26

IA e energia estão no centro de uma nova corrida armamentista geopolítica

IA e energia estão no centro de uma nova corrida armamentista geopolítica
IA e energia estão no centro de uma nova corrida armamentista geopolítica | Imagem: reprodução

Disputa Geopolítica em Inteligência Artificial e Energia

Uma disputa global por primazia tecnológica e industrial é progressivamente definida pela inteligência artificial e energia. Pesquisas da Wells Fargo Securities indicam que a inteligência artificial (IA) constitui o ponto central de uma luta geopolítica pelo poder entre Estados Unidos e China. Esta análise sugere que a tecnologia tem a capacidade de redefinir o equilíbrio de poder global.

O cenário atual é caracterizado como uma nova forma de corrida armamentista. Ela abrange chips, eletricidade e o controle de pontos estratégicos industriais, transcendendo mísseis e satélites. O desenvolvimento da IA já enfrenta limitações significativas de fornecimento em escala mundial.

Restrições e Respostas Estratégicas

Nos Estados Unidos, a disponibilidade de energia representa a principal restrição ao avanço da IA. Na China, o acesso a unidades de processamento gráfico (GPUs) configura o gargalo mais premente. Em resposta a estes desafios, Washington implementou políticas industriais.

O objetivo é construir autossuficiência em setores estratégicos. Medidas como o CHIPS Act e investimentos governamentais de US$ 8,9 bilhões para a Intel e US$ 400 milhões para a MP Materials exemplificam este esforço. Tais ações visam garantir a capacidade doméstica em semicondutores e minerais críticos.

Projeções e Isolamento de Capacidades

A Wells Fargo projeta o surgimento de mais iniciativas similares ao CHIPS Act. Essas ações visam isolar as capacidades de IA dos EUA de potenciais choques geopolíticos, especialmente aqueles que poderiam envolver a China e Taiwan.

Demanda Energética na Era da Inteligência Artificial e Energia

A energia assumiu uma posição central no arranjo estratégico. Projeções plurianuais da Agência Internacional de Energia (AIE) indicam que a demanda global de eletricidade em data centers dobrará até 2030 em seu cenário base. Há potencial para triplicar em um cenário otimista. Para mais informações sobre este tema, consulte relatórios da IEA.

Em território americano, gás natural e energia nuclear são identificados como os combustíveis primários na sustentação da expansão dos data centers. Dessa forma, a geração de eletricidade para esses centros de dados poderá aumentar drasticamente até 2035, impulsionada majoritariamente por essas duas fontes.

Acordos Comerciais e Alianças

A demanda crescente acelera acordos comerciais. Empresas buscam acesso garantido à energia. Acordos cumulativos relacionados a data centers de IA devem intensificar-se ao longo de 2025. Hiperescaladores recorreram a mineradores de bitcoin e provedores de nuvem emergentes para assegurar futuras capacidades elétricas.

O papel estratégico da energia manifesta-se no âmbito diplomático. Um acordo comercial recente entre EUA e Japão é focado na geração de energia e modernização da rede. A maioria dos investimentos japoneses direciona-se à infraestrutura elétrica dos EUA para IA e manufatura. Companhias como GE Vernova, Kinder Morgan, Carrier Global e Cameco foram mencionadas na declaração conjunta.

Paralelos Históricos

A Wells Fargo contextualiza a atual corrida tecnológica traçando paralelos com a corrida espacial da Guerra Fria. Naquele período, os gastos governamentais com ciência, espaço e tecnologia alcançaram 0,8% do PIB, quase seis vezes os níveis atuais. Em momentos anteriores de grandes conflitos, como a Segunda Guerra Mundial e as guerras da Coreia e do Vietnã, observou-se um aumento ainda maior nos gastos com defesa, exemplificando as exigências da competição geopolítica.

Foco Geopolítico: Inteligência Artificial e Energia

Embora terras raras, produtos farmacêuticos e construção naval sejam reconhecidos como vulnerabilidades estratégicas, a IA e a energia despontam como os setores nos quais a capacidade industrial influencia mais diretamente a projeção geopolítica. Estados Unidos e China buscam assegurar os componentes mais cruciais para suas respectivas trajetórias tecnológicas. Os Estados Unidos visam a eletricidade, enquanto a China busca chips avançados, consolidando a inteligência artificial e energia como pilares centrais desta disputa.

Por Correio de Santa Maria, com informações da Agência Internacional de Energia (AIE).

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