Após receber o diagnóstico aos 33 anos, Marina Moreira Lopes transformou a experiência com a doença em um incentivo à realização de exames preventivos e à valorização do acolhimento durante o tratamento.
A médica geriatra e paliativista Marina Moreira Lopes, de Goiânia, transformou a experiência de enfrentar um câncer de mama em uma iniciativa pessoal de conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico precoce. Diagnosticada em 2019, no dia em que completou 33 anos, ela passou por quimioterapia, cirurgia e radioterapia e hoje utiliza sua trajetória para incentivar outras mulheres a manterem os cuidados com a saúde.
Na época em que recebeu a notícia, Marina tinha um filho de apenas seis meses. O medo de não acompanhar o crescimento da criança marcou o início do tratamento. Apesar das dificuldades, ela contou com o apoio do marido e de outros familiares para atravessar o período de enfrentamento da doença.
A experiência também mudou sua percepção sobre o cuidado com os pacientes. Como profissional da saúde, ela já conhecia os procedimentos clínicos envolvidos no tratamento oncológico. Ao vivenciar a doença como paciente, porém, passou a compreender de maneira ainda mais próxima os desafios emocionais e físicos enfrentados por quem recebe um diagnóstico de câncer.
Diagnóstico precoce foi decisivo
Marina mantinha os exames preventivos em dia e tinha histórico familiar de câncer de mama. Embora a doença fosse considerada agressiva, o tumor foi identificado em estágio inicial, circunstância que contribuiu para o resultado positivo do tratamento.
Segundo a médica, a descoberta ocorreu por meio de uma mamografia, mesmo sem alterações perceptíveis nas mamas. O episódio reforçou a importância do acompanhamento médico e da realização dos exames indicados de acordo com o perfil e as orientações dos profissionais de saúde.
Durante o tratamento, ela passou por diferentes etapas, incluindo quimioterapia, cirurgia e radioterapia. Os procedimentos provocaram efeitos colaterais, mas Marina relatou que conseguiu manter parte da rotina, especialmente a convivência com o filho.
O afastamento temporário do trabalho também permitiu que ela dedicasse mais tempo à família durante os primeiros meses de vida da criança. O apoio recebido de pessoas próximas teve papel importante nesse período.
Acolhimento e cuidado durante o tratamento
Além do tratamento oncológico, Marina buscou acompanhamento psicológico e odontológico e manteve a prática de atividade física, conforme relatou ao Mais Goiás. Para ela, o cuidado com a saúde precisa considerar não apenas a doença, mas também as condições emocionais, familiares e sociais de cada paciente.
A vivência pessoal ampliou sua compreensão sobre a importância de respeitar as necessidades individuais de quem enfrenta um problema de saúde. Na avaliação da médica, cada pessoa reage de maneira diferente ao diagnóstico e ao tratamento, o que exige atenção às particularidades de cada trajetória.
Marina também destaca que aceitar ajuda pode tornar o enfrentamento da doença menos difícil. A experiência reforçou sua percepção de que o acolhimento e a rede de apoio são componentes importantes da jornada de recuperação, ao lado do acompanhamento clínico.
Outubro Rosa reforça alerta sobre prevenção
No dia 14 de outubro de 2026, Marina participou de uma mobilização do Outubro Rosa no Hospital Estadual de Dermatologia Sanitária Colônia Santa Marta (HDS), em Goiânia, onde atua como gerente médica. A atividade reuniu profissionais de diferentes setores em uma ação de conscientização sobre a importância da identificação precoce do câncer de mama.
A campanha anual chama a atenção para a prevenção, o diagnóstico e o acesso ao atendimento. A trajetória da médica se soma às iniciativas que procuram estimular as mulheres a manterem o acompanhamento de saúde e a procurarem avaliação profissional diante de alterações suspeitas.
O histórico familiar também merece ser informado aos profissionais responsáveis pelo atendimento, pois pode influenciar a avaliação individual de risco e as recomendações de acompanhamento. A periodicidade e a indicação dos exames devem considerar as orientações médicas e os critérios aplicáveis a cada paciente.
Experiência pessoal transformada em conscientização
Ao compartilhar sua história, Marina procura mostrar que o diagnóstico de câncer não resume a identidade de uma pessoa. A médica defende que o cuidado deve ser contínuo e que buscar apoio não representa fraqueza, mas pode contribuir para enfrentar os desafios impostos pela doença.
Sua trajetória também evidencia a importância de identificar alterações precocemente e de manter o acompanhamento de saúde, mesmo quando não há sintomas aparentes. No caso dela, a mamografia permitiu detectar o tumor em uma fase inicial, apesar da ausência de mudanças perceptíveis nas mamas.
A mensagem que Marina leva a outras mulheres é a de que conhecer o próprio corpo, manter os cuidados de rotina e procurar orientação profissional diante de dúvidas ou alterações são atitudes importantes. A experiência que começou com um diagnóstico inesperado passou a integrar seu esforço de conscientização sobre prevenção, acolhimento e cuidado individualizado.
TEXTO: Redação








