O Kremlin afirmou nesta segunda-feira (26) que as negociações previstas com os Estados Unidos e a Ucrânia não significarão uma suspensão da guerra, embora tenha se mostrado aberto a estabelecer tréguas humanitárias a nível local.
Em meio a uma escalada dos ataques, as partes devem se reunir em novembro sob mediação americana para tentar acabar com o pior conflito na Europa desde a Segunda Guerra Mundial.
“A decisão de retomar as negociações trilaterais não implica nenhuma restrição às operações de combate”, afirmou o porta-voz da presidência russa, Dmitri Peskov.
“Nossas Forças Armadas continuarão realizando ataques em grande escala contra o complexo militar-industrial da Ucrânia”, insistiu.
O porta-voz do Kremlin, no entanto, afirmou que Moscou está aberto a estabelecer cessar-fogos “humanitários” na linha de frente, como o que começará na terça-feira na cidade de Oleshki, ocupada pela Rússia.
A primeira-dama dos Estados Unidos, Melania Trump, anunciou a trégua nesta cidade do sul da Ucrânia, onde os moradores dizem sofrer com a falta de comida, água e remédios.
Questionado se a Rússia considera mais tréguas locais, Peskov respondeu: “Por motivos humanitários, é claro”.
Nas últimas semanas, a Rússia intensificou os ataques com drones e mísseis contra a Ucrânia, atingindo instalações de energia nas proximidades das principais cidades.
Kiev denuncia a campanha como uma tentativa de mergulhar o país no frio e na escuridão durante todo o inverno (hemisfério norte).
Os ataques do ano passado deixaram milhões de pessoas sem aquecimento nem energia elétrica, com temperaturas que chegaram a -20°C.
As negociações entre as duas partes estão paradas desde o começo do ano. Além disso, as rodadas anteriores não conseguiram avançar para um acordo.
A Rússia exige mais territórios no leste da Ucrânia e amplas restrições militares e políticas sobre Kiev.
A Ucrânia e seus aliados europeus afirmam que as exigências equivalem a uma capitulação, que deixaria o país exposto a um futuro ataque russo.








