GUILHERME BOTACINI
FOLHAPRESS
O partido do primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, acusa os partidos árabes do país de terem “roubado” as eleições desta terça-feira (27), e exige investigação de fraude eleitoral.
“As eleições no Estado de Israel foram roubadas por partidos árabes que apoiam o terrorismo e a aniquilação do Estado judeu por meio de graves atos criminosos de corrupção, ameaças, violência, falsificações e o uso de software proibido para encorajar eleitores a votar”, afirmou o partido em um comunicado nesta quarta-feira (28).
O partido governista afirma, no comunicado, que entregou à polícia, ao comitê eleitoral e o Shin Bet (agência de segurança interna), “centenas de testemunhos” e suposta evidência de violência contra equipes de seções eleitorais, compra de voto e votos duplicados, entre outras acusações. Mais cedo, um funcionário do comitê eleitoral rejeitou denúncias de fraude na eleição.
Até o começo da tarde no horário de Brasília, com mais de 85% das urnas apuradas, o Likud tem o maior número de cadeiras no Knesset, o Parlamento israelense, e o bloco de Netanyhau agrega o maior conjunto de assentos, 53, ainda abaixo da maioria de 61 parlamentares que garante um governo majoritário.
O bloco de oposição tem 48, e o conjunto de legendas árabes marca 19 assentos, o que faz desse grupo, profundamente anti-Netanyahu, mas ainda sem uma aliança consolidada com a oposição de siglas sionistas, o provável fiel da balança no pleito.
Após concluída a apuração dos votos, o presidente do país, Isaac Herzog, consulta os partidos do Knesset e convida algum dos parlamentares a tentar formar um governo. Isso significa que não necessariamente o bloco majoritário ou partido com mais votos formará o próximo governo, uma incerteza que se aprofunda em um cenário sem um grupo com maioria consolidada.
A coalizão de Netanyahu, a mais à direita da história de Israel, tentou isolar as siglas árabes e evitar uma possível colaboração delas com a oposição dizendo que qualquer cooperação nesse sentido seria ilegítima.
O pleito é o primeiro desde o 7 de Outubro, ataque terrorista liderado pelo Hamas contra Israel em 2023 que matou 1.200 pessoas e desencadeou o conflito na Faixa de Gaza, onde a reação israelense matou mais de 73 mil pessoas.








