O enviado presidencial dos EUA, Steve Witkoff, aconselhou um alto funcionário do Kremlin sobre como apresentar um plano para a Ucrânia a Donald Trump.
Em uma ligação em 14 de outubro, Witkoff aconselhou Yuri Ushakov, principal assessor de política externa de Putin, sobre como o líder russo deveria abordar o tema com Trump. Sua orientação incluía sugestões para organizar uma ligação entre Trump e Putin antes da visita de Volodymyr Zelenskiy à Casa Branca naquela mesma semana e usar o acordo de Gaza como porta de entrada.
“Montamos um plano Trump de 20 pontos, que eram 20 pontos pela paz, e estou pensando que talvez façamos a mesma coisa com vocês”, disse Witkoff a Ushakov, de acordo com uma gravação da conversa revisada e transcrita pela Bloomberg.
A conversa oferece uma visão direta das táticas recentes de Witkoff nas negociações com a Rússia e do que parece ser a gênese da proposta de paz de 28 pontos que surgiu no início deste mês — e que os EUA pressionaram a Ucrânia a aceitar como base para um acordo.
A relação de Trump e Putin
Putin disse que acredita que o plano dos EUA poderia ser usado como base para um acordo de paz. Ele afirmou a altos funcionários em uma reunião do Conselho de Segurança russo que o plano de 28 pontos ainda não havia sido discutido em detalhes com os EUA, mas que Moscou tinha recebido uma cópia.
Na época da ligação Witkoff–Ushakov, Trump comemorava o sucesso de sua iniciativa para encerrar a guerra em Gaza.
No entanto, a atitude de Trump em relação a Putin parecia estar esfriando. Enquanto se preparava para sua reunião com Zelenskiy em 17 de outubro, ele considerava fornecer mísseis Tomahawk de maior alcance à Ucrânia, discutia novas sanções contra a Rússia e expressava sua frustração com Putin.
O engajamento dos EUA com a Rússia sobre os planos para a Ucrânia
Durante sua ligação com Ushakov, Witkoff disse ao seu interlocutor russo que tinha profundo respeito por Putin e que havia dito a Trump acreditar que a Rússia sempre quis um acordo de paz. O enviado dos EUA mencionou a próxima visita de Zelenskiy e sugeriu que Putin poderia falar com Trump antes desse encontro.
Ushakov perguntou a Witkoff se seria “útil” que Putin ligasse para Trump. Witkoff disse que sim.
Ele também recomendou que Putin parabenizasse Trump pelo acordo de paz em Gaza, dissesse que a Rússia havia apoiado o acordo e que respeitava o presidente como um homem de paz.
Ligação “muito produtiva”
Trump e Putin fizeram a ligação dois dias depois, a pedido da Rússia, e o presidente dos EUA descreveu a conversa de duas horas e meia como “muito produtiva”.
Em continuidade à conversa, Witkoff se encontrou com Kirill Dmitriev, outro assessor sênior do Kremlin, em Miami.
Em 29 de outubro, Dmitriev e Ushakov falaram por telefone em russo e debateram quão fortemente Moscou deveria insistir em suas exigências em qualquer proposta de paz, segundo outra gravação revisada pela Bloomberg.
Ucrânia pressionada
Desde então, porém, a Ucrânia tem sido duramente pressionada a aceitar a proposta que Witkoff elaborou com ajuda de seus interlocutores do Kremlin.
Nos termos propostos inicialmente pelos EUA, a Ucrânia teria de retirar tropas de partes da região leste de Donbas que a Rússia não conseguiu capturar por meios militares.
Moscou também obteria reconhecimento de fato das reivindicações russas sobre as regiões de Crimeia, Luhansk e Donetsk.
Essas são algumas das condições que Witkoff e Ushakov parecem antecipar durante a ligação do mês passado.
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