Sábado, 06/12/25

Enviado dos EUA aconselhou Rússia sobre apresentação do plano para a Ucrânia a Trump

Enviado dos EUA aconselhou Rússia sobre apresentação do plano para a Ucrânia a Trump
Enviado dos EUA aconselhou Rússia sobre apresentação do plano para a Ucrânia a Trump | Imagem: Reprodução

O enviado presidencial dos EUA, Steve Witkoff, aconselhou um alto funcionário do Kremlin sobre como apresentar um plano para a Ucrânia a Donald Trump.

Em uma ligação em 14 de outubro, Witkoff aconselhou Yuri Ushakov, principal assessor de política externa de Putin, sobre como o líder russo deveria abordar o tema com Trump. Sua orientação incluía sugestões para organizar uma ligação entre Trump e Putin antes da visita de Volodymyr Zelenskiy à Casa Branca naquela mesma semana e usar o acordo de Gaza como porta de entrada.

“Montamos um plano Trump de 20 pontos, que eram 20 pontos pela paz, e estou pensando que talvez façamos a mesma coisa com vocês”, disse Witkoff a Ushakov, de acordo com uma gravação da conversa revisada e transcrita pela Bloomberg.

A conversa oferece uma visão direta das táticas recentes de Witkoff nas negociações com a Rússia e do que parece ser a gênese da proposta de paz de 28 pontos que surgiu no início deste mês — e que os EUA pressionaram a Ucrânia a aceitar como base para um acordo.

A relação de Trump e Putin

Putin disse que acredita que o plano dos EUA poderia ser usado como base para um acordo de paz. Ele afirmou a altos funcionários em uma reunião do Conselho de Segurança russo que o plano de 28 pontos ainda não havia sido discutido em detalhes com os EUA, mas que Moscou tinha recebido uma cópia.

Na época da ligação Witkoff–Ushakov, Trump comemorava o sucesso de sua iniciativa para encerrar a guerra em Gaza.

No entanto, a atitude de Trump em relação a Putin parecia estar esfriando. Enquanto se preparava para sua reunião com Zelenskiy em 17 de outubro, ele considerava fornecer mísseis Tomahawk de maior alcance à Ucrânia, discutia novas sanções contra a Rússia e expressava sua frustração com Putin.

O engajamento dos EUA com a Rússia sobre os planos para a Ucrânia

Durante sua ligação com Ushakov, Witkoff disse ao seu interlocutor russo que tinha profundo respeito por Putin e que havia dito a Trump acreditar que a Rússia sempre quis um acordo de paz. O enviado dos EUA mencionou a próxima visita de Zelenskiy e sugeriu que Putin poderia falar com Trump antes desse encontro.

Ushakov perguntou a Witkoff se seria “útil” que Putin ligasse para Trump. Witkoff disse que sim.

Ele também recomendou que Putin parabenizasse Trump pelo acordo de paz em Gaza, dissesse que a Rússia havia apoiado o acordo e que respeitava o presidente como um homem de paz.

Ligação “muito produtiva”

Trump e Putin fizeram a ligação dois dias depois, a pedido da Rússia, e o presidente dos EUA descreveu a conversa de duas horas e meia como “muito produtiva”.

Em continuidade à conversa, Witkoff se encontrou com Kirill Dmitriev, outro assessor sênior do Kremlin, em Miami.

Em 29 de outubro, Dmitriev e Ushakov falaram por telefone em russo e debateram quão fortemente Moscou deveria insistir em suas exigências em qualquer proposta de paz, segundo outra gravação revisada pela Bloomberg.

Ucrânia pressionada

Desde então, porém, a Ucrânia tem sido duramente pressionada a aceitar a proposta que Witkoff elaborou com ajuda de seus interlocutores do Kremlin.

Nos termos propostos inicialmente pelos EUA, a Ucrânia teria de retirar tropas de partes da região leste de Donbas que a Rússia não conseguiu capturar por meios militares.

Moscou também obteria reconhecimento de fato das reivindicações russas sobre as regiões de Crimeia, Luhansk e Donetsk.

Essas são algumas das condições que Witkoff e Ushakov parecem antecipar durante a ligação do mês passado.

A Ucrânia tem sido pressionada a aceitar a proposta de paz. Leia mais

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *