Segunda-feira, 31/08/26

Ações da Casas Bahia disparam mais de 40% após suspensão de cobranças contra varejista

Ações da Casas Bahia disparam mais de 40% após suspensão de cobranças contra varejista
Ações da Casas Bahia disparam mais de 40% após suspensão – Reprodução

FOLHAPRESS

As ações da Casas Bahia disparavam 45% nesta segunda-feira (31) após a varejista comunicar a investidores a suspensão, por 180 dias, de ações judiciais e cobranças de dívidas. Por volta das 11h30, os papéis subiam 45%, a R$ 0,58. Na máxima do dia, chegaram a avançar 47,5%, a R$ 0,59.

Em despacho de sexta-feira (28), a juíza Tainá Maria Leonardo de Oliveira, da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de São Paulo, reconheceu a tese de que a corrida de credores contra o patrimônio do grupo e os bloqueios judiciais já concedidos representam um risco à reestruturação e justificam a blindagem temporária.

Para Alexandre Pletes, head de renda variável da Faz Capital, a alta das ações reflete a medida judicial. “Isso vai viabilizar operacionalmente a continuidade da empresa até que as coisas sejam de fato estabelecidas.”

Pletes, contudo, afirma que a medida não resolve a situação da empresa e tem impacto limitado. “Não dá para se animar muito, afinal de contas, a reestruturação da dívida ainda precisa ser feita.”

Segundo Marcelo Boragaini, especialista em renda variável da Davos Investimentos, a liminar compra fôlego operacional e evita o estrangulamento imediato.

“Só que o grande divisor de águas vai continuar sendo a capacidade da gestão de entregar o plano definitivo de reestruturação e recuperar margem em um ambiente de juros ainda bastante desafiador”, afirma.

O chamado “stay period” é necessário, segundo a juíza, para entender a dimensão das operações do grupo Casas Bahia, que contabiliza mais de 765 lojas físicas pelo país e controla uma cadeia de segmentos próprios, além de permitir a análise de toda a documentação apresentada.

Horas antes da decisão que concedeu o “stay period”, a Casas Bahia desistiu do pedido de ressarcimento de R$ 422 milhões contra o Banco do Brasil. A empresa acusava o banco de debitar o valor das contas da varejista após Apple e Mapfre Seguros exigirem o pagamento de garantias. O BB atuou como fiador nessas operações.

Na quinta-feira (27), o Banco do Brasil negou o débito e acusou a Casas Bahia de litigância de má-fé —quando uma das partes de um processo mente ou pede algo que contrarie um fato incontroverso, entre outros casos. Segundo a varejista, as companhias estão em tratativas internas para resolver o impasse.

A Casas Bahia pediu recuperação judicial em 16 de agosto, após registrar R$ 17,3 bilhões em dívidas. Dez empresas da holding fazem parte da ação, entre elas as marcas Casas Bahia e Ponto Frio, o e-commerce Extra.com e a fabricante de móveis Bartira, além de subsidiárias de logística e tecnologia.

Desde então, considerando o valor de fechamento da última sexta-feira (28), os papéis acumulam desvalorização de 38%. O avanço desta segunda reverte parte da queda acumulada.

Em 14 de agosto, pregão anterior ao pedido de restruturação, as ações da varejista fecharam cotadas a R$ 0,66, enquanto, em 28 de agosto, os papéis terminaram o pregão cotados a R$ 0,41.


T LB

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