O trabalho descreve um caminho químico plausível para a formação da eritrulose em grãos microscópicos de poeira interestelar. Segundo os autores, o açúcar pode surgir quando glicolaldeído e etilenoglicol, compostos orgânicos encontrados em algumas regiões do cosmos, reagem na superfície desses grãos, mesmo com a temperatura em torno de -250°C.
Os cientistas apontam que açúcares simples podem contribuir para a formação de ribonucleotídeos, peças fundamentais do RNA, que provavelmente antecedeu o DNA como material genético. “Isso abre a possibilidade de a vida se desenvolver em outros mundos de forma semelhante ao que ocorreu na Terra”, disse Jiménez-Serra ao Guardian.
O que a descoberta sugere sobre a Terra
Outra conclusão do estudo é que parte dos açúcares presentes no planeta pode ter vindo do espaço, carregada por cometas e chuvas de asteroides. A hipótese pode ajudar a explicar por que esses compostos teriam se tornado abundantes na Terra, já que experimentos em laboratório indicam que eles não se formariam com facilidade.
Para os autores, esse material pode ter alimentado ambientes químicos favoráveis ao surgimento das primeiras biomoléculas. “Esse material poderia ter contribuído para ‘sopas’ prebióticas onde as primeiras biomoléculas foram sintetizadas”, completou a pesquisadora.
Por que isso importa
A detecção direta no meio interestelar reforça indícios anteriores de que açúcares podem existir fora da Terra. Estudos já haviam encontrado açúcares em meteoritos antigos e no asteroide Bennu, mas ainda faltava uma observação direta desses compostos no espaço entre as estrelas.








