Sábado, 16/05/26

Agências do Irã sugerem cobrança de taxa por cabos de internet sob Hormuz

Agências do Irã sugerem cobrança de taxa por cabos de internet sob Hormuz
Agências do Irã sugerem cobrança de taxa por cabos de – Reprodução

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS)

A agência de notícias Tasnim, um órgão semi-estatal do Irã com conexões com a Guarda Revolucionária, sugeriu em artigo publicado nesta semana que o país passe a cobrar taxa pelos cabos submarinos de fibra ótica que passam pelo estreito de Hormuz e conectam a internet de partes do mundo.

Ao menos sete grandes cabos do tipo passam pelo estreito de Hormuz, conectando países do Golfo, Europa e Ásia pela via marítima atualmente sob tensão em meio à guerra do Irã com Estados Unidos e Israel.

Cobranças ou disrupções nessa infraestrutura, crucial para o funcionamento de partes da internet e do sistema financeiro global Swift, podem se transformar em nova pedra no sapato do presidente Donald Trump, que posterga uma solução para a guerra ora sob trégua.

Grandes empresas de tecnologia americanas como a Amazon e a OpenAI, têm feito investimentos bilionários em países do golfo, principalmente para construção de data centers, que poderiam ser gravemente afetados por problemas nos cabos submarinos.

No artigo, a Tasnim traça três medidas para o regime gerar receitas a partir da cobrança de taxas, e afirma que o país tem sido privado de benefícios dessa infraestrutura pelo que o texto chama de visão tradicional do estreito —com a guerra e os bloqueios de navios na região, o direito de cobrar pedágio passou a ser uma demanda de Teerã em Hormuz, até então de livre navegação.

A agência afirma que a República Islâmica deveria tomar três medidas para tal: cobrar licenças e taxas de renovação anuais de companhias estrangeiras que usem os cabos, obrigar grandes empresas de tecnologia a operarem sob lei iraniana e dar controle exclusivo da manutenção dos cabos a grupos iranianos.

Hormuz se transformaria, segundo a agência, em um “centro estratégico para criação legítima de riqueza”.

Já a agência Fars, também ligada à Guarda Revolucionária, publicou conteúdo nas redes sociais sugerindo o mesmo tipo de controle por parte do Irã.

O veículo afirma que a disrupção do fluxo de informações dos cabos por poucos dias causaria centenas de milhões de dólares de danos para a economia global, e diz que a infraestrutura passa por uma área na qual o Irã exerce legalmente sua soberania. A agência sugere as mesmas três medidas indicadas pela Tasnim.

T LB

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