Quarta-feira, 07/10/26

Além de mortes e sequestros, violência sexual também marcou ataques do Hamas

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Além de mortes e sequestros, violência sexual também marcou ataques – Reprodução

DOUGLAS GAVRAS
FOLHAPRESS


Além de mortes e sequestros, os ataques do Hamas contra Israel em 2023 foram marcados por violência sexual sistemática contra mulheres, segundo os números mais recentes de uma comissão israelense divulgados meses antes do terceiro aniversário do ataque, nesta quarta-feira (7).

O documento, de 300 páginas, acusava o grupo terrorista e outras facções palestinas de recorrerem “repetidamente a táticas de violência sexual e tortura contra as vítimas”, tanto durante a invasão quanto ao longo do cativeiro dos reféns levados para Gaza.

“Os crimes foram caracterizados por uma crueldade extrema e um profundo sofrimento humano, muitas vezes infligidos com o objetivo de intensificar o terror e a humilhação”, afirma o texto.

O comitê foi criado em novembro de 2023 por uma jurista israelense para documentar os crimes sexuais atribuídos ao Hamas e complementa outras investigações, incluindo da ONU (Organização das Nações Unidas).

Os autores dizem ter examinado mais de 10 mil fotografias e sequências de vídeo -o equivalente a 1.800 horas de material- além de realizar mais de 430 entrevistas, audiências ou reuniões com sobreviventes, testemunhas, ex-reféns, especialistas e familiares das vítimas.

Segundo a comissão, os atos configuram crimes de guerra, crimes contra a humanidade e genocídio pelo direito internacional.

Em dezembro de 2023, uma reportagem do The New York Times, baseada em imagens, dados de GPS e mais de 150 entrevistas, identificou indícios de agressões ou mutilações sexuais contra mulheres e meninas em ao menos sete locais atacados.

Na ocasião, dezenas de vídeos com cenas de violência contra mulheres viralizaram. Em um dos casos mais conhecidos, o corpo de uma mulher de 34 anos foi encontrado após o ataque. Ela, que desapareceu ao tentar fugir por uma rodovia com o marido, foi reconhecida pelo vestido preto que usava.

Testemunhas, soldados e profissionais de saúde relatam ter encontrado corpos de dezenas de vítimas com roupas rasgadas e sinais de violência genital na rave Nova, em kibutzim e ao longo da Rota 232.
O Hamas nega as acusações desde que foram apresentadas.

Os ataques de 7 de outubro de 2023 mataram 1.221 pessoas, segundo contagem da agência AFP baseada em números oficiais israelenses, e resultaram no sequestro de 251 reféns -44 deles já mortos no momento do sequestro.

A ofensiva militar israelense que se seguiu matou mais de 74 mil pessoas em Gaza, segundo fontes de saúde locais consideradas confiáveis pela ONU.

Este é o primeiro aniversário sem nenhum refém mantido em Gaza, após os sobreviventes terem sido trocados por palestinos detidos em prisões israelenses; os restos mortais do último refém foram recuperados em janeiro.

Em Re’im, onde ocorria o festival Nova no momento da invasão, familiares e amigos das vítimas fizeram um minuto de silêncio às 6h29 (0h29 em Brasília) desta quarta-feira, horário exato do início do ataque em 2023.

“Foi o minuto em que nossas vidas mudaram para sempre”, disse Katia Zohar, mãe de Bar, assassinada aos 23 anos no festival. “Lembro de tudo. Do momento em que ela me ligou para que eu fosse buscá-la, porque havia mísseis voando […] e, depois, quando ligou da estrada, gritando que estavam atirando contra ela.”

Anna Davitashvili, 53, recordou o filho Shaun, morto aos 25 anos no mesmo festival. “Sinto falta dele”, disse. “Sinto muitíssimo por não ter conseguido salvá-lo.”

Também houve um momento de silêncio no kibutz Kfar Aza, onde 64 pessoas foram mortas e 18 sequestradas. As cerimônias oficiais ocorreram em Jerusalém na segunda-feira, com a participação do primeiro-ministro Binyamin Netanyahu.

O Hamas, que segue presente em Gaza apesar das promessas do premiê Binyamin Netanyahu de eliminar o grupo, chamou o 7 de outubro de “um dia glorioso na história de nosso povo”, afirmando ter “destruído o mito do Exército invencível”.

As homenagens às vítimas também ocorrem sob segurança reforçada, a três semanas das eleições gerais em Israel, marcadas para 27 de outubro, e uma semana após um ataque em que o piloto de um avião com destino a Tel Aviv foi esfaqueado.

Pesquisas indicam disputa difícil para Netanyahu, que nos últimos três anos lançou campanhas militares no Líbano e no Irã, além de intervir na Síria e no Iêmen. Um de seus adversários, o ex-premiê Naftali Bennett, o acusa de não ter evitado os ataques.

“Este foi um fracasso colossal do Estado de Israel, que foi fundado para defender os judeus em nossa terra”, declarou no local do festival Nova.

O ministro da Defesa, Israel Katz, afirmou que o Exército segue em alerta, devido a informações de inteligência sobre possíveis ataques do Hamas na data do aniversário.


T LB

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