Rolagem infinita e notificação incessante são engrenagens do design das plataformas que movem o modelo de negócio. Mais tempo de tela significa mais anúncio exibido, mais receita. Quando um regulador diz que o feed precisa ter fim, ele está mexendo no bolso das big techs, não só no layout. Quem ganha são pais, crianças e adolescentes. Quem perde é toda plataforma cuja principal métrica de sucesso é o minuto a mais que o usuário passa rolando.
O acordo feito pela Meta nos Estados Unidos para encerrar um julgamento com potencial catastrófico prevê limites ao feed infinito, supervisão parental e restrição de horário para menores. Lá, valerá apenas nos estados que integraram a ação e só nas propriedades da Meta, que se comprometeu a convencer o Google a embarcar.
No Brasil, o ECA Digital já prevê tudo isso. E, na visão do diretor do Conselho Diretor da ANPD, Iagê Miola, com uma vantagem: a regra vale para todas as plataformas, sem depender de negociação caso a caso.
O caminho brasileiro é diferente ainda do escolhido pela Austrália, que baniu as redes sociais para menores de 16 anos. Agora, o país descobre que o banimento sozinho não protege ninguém. A Comissão Europeia está neste momento discutindo um caminho híbrido: proibição abaixo de 13 anos e contas especiais e blindadas entre 13 e 16 anos.








