Quinta-feira, 14/05/26

Americanas reduz prejuízo para R$ 329 mi no 1º tri com aposta em lojas físicas

Americanas reduz prejuízo para R$ 329 mi no 1º tri com aposta em lojas físicas
Americanas reduz prejuízo para R$ 329 mi no 1º tri – Reprodução

A Americanas fechou o primeiro trimestre de 2026 com crescimento de 19,8% na receita bruta em comparação com o mesmo período do ano passado, mas fechou o período no vermelho, com prejuízo total de R$ 329 milhões, uma redução de 33,7%.

Segundo a companhia, as vendas no canal físico foram as responsáveis por sustentar o crescimento da receita, correspondendo a R$ 3,3 bilhões no período -alta de 16,5%.

O Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) ficou negativo em R$ 13 milhões, porém o Ebitda ajustado ex-IFRS16, uma norma contábil que obriga as empresas a registrarem os contratos de aluguel de longo prazo como se fossem dívidas, ficou negativo em R$ 186 milhões -queda de 23,3% na comparação com o ano passado.

Com as mudanças na gestão, iniciadas ao longo do período de recuperação judicial, a companhia reduziu sua presença no mercado online e focou nos pontos de venda físicos, investindo principalmente na opção de compra com retirada em loja. Antes, as vendas nos canais digitais correspondiam a mais de 30%.

Essa modalidade, apontada no balanço como O2O (online-to-offline), mede as vendas iniciadas digitalmente e concluídas com retirada em loja física. No trimestre, chegou a R$ 146 milhões, alta de 55,8%.

“Foi uma mudança na estratégia do antigo ecommerce, que passaria a servir a loja física. Esse resultado surpreendeu muito e teve um papel fundamental na Páscoa, que era uma operação digital muito negativa”, explica Fernando Soares, CEO da Americanas.

Especialmente na Páscoa deste ano, cujo resultado não está completamente contabilizado no balanço, foi observado um aumento de aproximadamente 10% nas vendas online, impulsionado pela opção de retirada em loja.

Para Soares, ter quase 1.500 pontos de venda acabou servindo como uma forma de trabalhar com entrega rápida para os clientes.

Como reflexo da decisão de desidratar o canal online, as operações com marketplace despencaram 71,9% no trimestre, correspondendo a somente R$ 10 milhões no balanço. A aposta agora está na parceria com empresas como o Magazine Luiza para manter presença no digital, estratégia que deve ser impulsionada pela opção de retirada em lojas físicas.

Segundo o executivo, a companhia projetava uma “break even” (equalização entre gasto e receita) neste canal ao longo do ano, mas ele aconteceu já na primeira quadra do ano.

As despesas com a recuperação judicial e com a investigação interna sobre as inconsistências contábeis descobertas no início de 2023 subiram 87,6%, chegando a R$ 28 milhões no primeiro trimestre.

O CFO (diretor financeiro) da companhia, Sebastien Durchon, não dá detalhes sobre o gasto, mas afirma que a recuperação consome diversas linhas de despesas, incluindo advogados e o administrador judicial.
Em março, a companhia protocolou seu pedido de saída da recuperação judicial e aguarda a decisão da 4ª Vara Empresarial da Comarca da Capital do Rio de Janeiro.

“É uma das razões pelas quais nós pedimos para sair de forma antecipada da recuperação judicial. A gente entende que já cumprimos todas as nossas obrigações, não faz sentido ficar nesse regime, não precisamos mais dessa proteção e isso custa”, afirma Durchon.

RAIO-X AMERICANAS

Fundação: 1929
Sede: Rio de Janeiro
Funcionários: 23.988
Lojas: 1.452, em todos os estados do país e no Distrito Federal
Centros de distribuição: Seropédica (RJ), Uberlândia (MG), Itapevi (SP), Benevides (PA), Cabo de Santo Agostinho (PE), Simões Filho (BA), São José dos Pinhais (PR) e Gravataí (RS)
Principais concorrentes: supermercados, lojas de cosméticos, lojas de doces
Receita líquida 2025: R$ 12,3 bilhões

T LB

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