Problema de gerações
Ao reconstruir o passado familiar, Ana Claudia menciona avó, bisavó, tataravó e tia. As lembranças incluem tentativas de suicídio, mortes e internações psiquiátricas. Segundo ela, uma das familiares tinha transtorno bipolar, mas não recebia tratamento adequado. “Meu pai mesmo nunca entendeu quando minha mãe ficava de cama. Ele dizia ‘eu faço tudo que posso e não adianta'”, destaca.
O silêncio e a dificuldade de diagnóstico dificultaram a compreensão do que estava acontecendo. Mais do que uma história distante, os episódios alimentavam seu receio de passar pelas mesmas situações. Depois de ser socorrida na adolescência, ela decidiu procurar formas de cuidar de si. “Eu pensei que agora vou ficar é viva”, relembra.
A psicoterapia entrou em sua vida nesse período, em um contexto também marcado por cobranças familiares sobre seu peso. O acompanhamento, inicialmente previsto em um pacote de quatro sessões associado a um regime alimentar, se prolongou. Ana Claudia conta que permaneceu com a mesma psicóloga por cerca de 20 anos.
Ela associa o histórico familiar a uma alteração genética que, anos atrás, ainda não era tão estudada. “Nunca foi falado [qual gene era]. Até porque naquela época isso era um tabu. Não era normal falar de doença emocional”, afirma Ana Claudia. Segundo a Organização Mundial da Saúde, o comportamento suicida envolve fatores biológicos, psicológicos, sociais e ambientais.
Criação da ferramenta
Antes de cursar psicologia, Ana Claudia ingressou em administração nos anos 1980. Também passou por cursos de coaching, mas diz ter encontrado limites em uma abordagem concentrada no cumprimento de objetivos. Aos 32 anos, começou a formação em psicologia e, posteriormente, estudou neurociência.






