Sábado, 06/12/25

Apreensão de R$ 28 milhões desmonta esquema milionário do Comando Vermelho em Goiás

Operação mira casal responsável por chefiar movimentações financeiras do grupo no estado (Foto: Divulgação/MPGO)

Operação Cifra Vermelha mira casal responsável por chefiar movimentações financeiras e compra de R$ 28 milhões em gado

Uma operação deflagrada na terça-feira (18/11) resultou na apreensão de R$ 28 milhões pertencentes ao Comando Vermelho em Goiás. Batizada de Operação Cifra Vermelha, a ação teve como foco desmantelar um esquema milionário de lavagem de dinheiro vinculado à facção. O principal alvo foi um casal identificado como “J” e “AP”, apontado como responsável por chefiar um núcleo financeiro do grupo criminoso no estado.

Ao todo, foram cumpridos 13 mandados de busca e apreensão e seis mandados de prisão preventiva e temporária. Um contador ligado ao esquema, responsável por estruturar empresas de fachada utilizadas para ocultar recursos ilícitos, foi preso. Já o casal apontado como líder da operação criminosa não foi localizado e permanece foragido. Entre os itens apreendidos estão dinheiro, armas, munições, veículos e aparelhos eletrônicos, que serão analisados para identificar outros possíveis braços financeiros da facção.

As investigações, iniciadas há cerca de um ano, avançaram significativamente após a quebra de sigilo telemático dos suspeitos, possibilitando o rastreamento de comunicações e transações do grupo. O Ministério Público informou que “J” atuava como o idealizador do esquema, enquanto “AP” era responsável pelo controle direto das finanças. Segundo os investigadores, integrantes da facção criavam empresas de fachada exclusivamente para receber, movimentar e disfarçar valores provenientes do tráfico de drogas. As operações financeiras eram fracionadas, com pequenos depósitos realizados diariamente em diversas contas, sobretudo em casas lotéricas, prática que, somada, movimentava milhões.

Para conferir aparência de legalidade aos valores, o casal também investia na compra de gado, setor no qual foram identificados gastos que totalizam R$ 28 milhões. O esquema também envolvia familiares, incluindo contas bancárias abertas em nome dos filhos adolescentes, de 12 e 14 anos, utilizadas para ocultar recursos enviados por traficantes. O tenente-coronel da PMGO Daniel Machado destacou ainda que “AP” utilizou o nome da própria mãe, aposentada com salário bruto de R$ 2.400, para realizar movimentações bancárias. “Somente em três dessas transações foram contabilizados mais de R$ 1,1 milhão”, ressaltou.

Impacto financeiro e prisões

Segundo os promotores responsáveis, o maior resultado da operação foi o sequestro de R$ 28.108.51,70 em contas bancárias vinculadas ao grupo, além da apreensão de veículos. Para o Ministério Público, o bloqueio desses valores representa um golpe direto na estrutura criminosa do Comando Vermelho, impedindo que o dinheiro continue financiando atividades como compra de armas, drogas e sustentação logística da facção.

Correio de Santa Maria, com informações do Ministério Público (MPGO)

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