Sexta-feira, 21/08/26

Aumento de recompra do Tesouro dos EUA ataca sintomas, não causa, diz JPMorgan

Aumento de recompra do Tesouro dos EUA ataca sintomas, não causa, diz JPMorgan
Aumento de recompra do Tesouro dos EUA ataca sintomas, não – Reprodução

MATHEUS DOS SANTOS
FOLHAPRESS


O banco americano JPMorgan afirmou, em relatório divulgado nesta quinta-feira (20), que o aumento das recompras de títulos pelo Tesouro dos Estados Unidos ataca os sintomas, mas não as causas da pressão sobre a taxa de juros de longo prazo americana.

“Na ausência de uma consolidação fiscal real, tememos que os mercados vejam esta ação como carente de credibilidade, o que significa que isso poderia contribuir para prêmios de prazo e rendimentos mais altos ao longo do tempo, caso o Tesouro se torne mais oportunista em sua abordagem de gestão da dívida”, afirma o relatório, assinado por Jay Barry, Jason Hunter, Harry Downie e Amanda Berke.

Na quarta-feira (19), o Departamento do Tesouro dos EUA anunciou que dobrará o volume de recompras de títulos de longo prazo da dívida pública, de US$ 2 bilhões para pelo menos US$ 4 bilhões por operação. A medida envolve papéis com vencimentos entre 10 e 20 anos e entre 20 e 30 anos e tem como objetivo declarado dar mais liquidez ao mercado.

O anúncio ocorreu após o rendimento dos títulos de 30 anos chegar a quase 5,34% na terça-feira (18), o maior nível desde 2007. Quando os rendimentos sobem, os preços dos títulos caem, elevando o custo de financiamento de longo prazo para o governo e servindo de referência para outras modalidades de crédito, como financiamentos imobiliários.

A alta dos juros longos também reflete preocupações dos investidores com a trajetória fiscal americana. A dívida pública dos Estados Unidos ultrapassou US$ 40 trilhões pela primeira vez na história.

Para o JPMorgan, a decisão do Tesouro é incomum porque não havia sinais de disfunção ou falta de liquidez no mercado que justificassem o aumento das recompras naquele momento.

“O Tesouro havia divulgado há apenas duas semanas, durante o anúncio de refinanciamento de agosto, o calendário de recompras para os próximos três meses. Não encontramos nada relacionado ao funcionamento do mercado que justificasse um aumento das recompras de títulos longos neste momento”, diz o relatório.

Segundo o banco, a decisão sinaliza que o Tesouro está desconfortável com a alta dos rendimentos de longo prazo. As recompras funcionam ao aumentar a demanda pelos títulos, o que tende a elevar seus preços e reduzir os rendimentos.

O JPMorgan ressalta, porém, que a medida não resolve os fatores que pressionam os juros longos, como as perspectivas para as contas públicas. Sem uma melhora efetiva da situação fiscal, o banco teme que uma atuação mais intervencionista do Tesouro possa, ao contrário, aumentar os rendimentos no futuro.

A decisão teve efeito imediato nos mercados. Nesta quarta-feira, o rendimento do título de 30 anos caiu 0,09 ponto percentual, para 5,2%, enquanto o de 10 anos recuou 0,07 ponto, para 4,64%. Nesta quinta-feira, porém, os rendimentos dos Treasuries de 10 e 30 anos subiam 5 pontos-base, para 4,698% e 5,242%, respectivamente.


T LB

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