Terça-feira, 16/12/25

Automobilismo: mulheres aceleram rumo à fórmula 1 e quebram barreiras

Divulgação

O universo das corridas de alta velocidade, tradicionalmente dominado por homens, começa a ganhar novas cores com a ascensão de uma geração de mulheres que desafiam estereótipos e buscam seu lugar ao sol no automobilismo. Apesar de representarem apenas 4% dos pilotos profissionais no país, segundo dados da Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA), o interesse feminino pelo esporte a motor tem crescido exponencialmente, tanto nas pistas quanto nas arquibancadas.

Um reflexo desse aumento de interesse pode ser notado no crescimento da participação feminina no GP da Fórmula 1, realizado em São Paulo. O público feminino saltou de 21% em 2021 para expressivos 37% neste ano, demonstrando uma mudança cultural e a quebra de paradigmas.

Bia Figueiredo, pilota com 40 anos, pioneira no automobilismo brasileiro, presidente da Comissão Feminina de Automobilismo e representante da FIA Women na América do Sul, destaca essa transformação. Segundo ela, a ausência de conexão das mulheres com as pistas era um fator determinante para o menor interesse no passado. Hoje, ela celebra a presença crescente de mulheres em todas as áreas do automobilismo, desde as equipes e arquibancadas até o volante. Atualmente, Bia compete na Copa Truck, categoria brasileira de corridas de caminhão, e foi a primeira mulher campeã da Copa Truck Elite em 2024.

Essa nova geração de pilotas encontra inspiração em nomes como Bia Figueiredo, que abriu caminho para que outras mulheres pudessem sonhar com o automobilismo. Rafaela Ferreira, de 20 anos, é um exemplo dessa nova safra. Primeira mulher a vencer na F4 Brasil e a conquistar uma pole position na Copa Brasil de Kart, Rafaela integra a equipe Red Bull e compete na F1 Academy, categoria criada para desenvolver jovens talentos femininos. Para Rafaela, a F1 Academy representa um passo fundamental para as mulheres, oferecendo uma visão clara de onde podem chegar.

A F1 Academy é um programa que prepara jovens de 16 a 25 anos para ascenderem da F4 para a F3. Aurelia Nobels, de 18 anos, também pilota da F1 Academy, ressalta a dificuldade de transição da F4 para a F3, devido à diferença de velocidade e peso dos carros. No entanto, ela acredita que, com trabalho árduo e preparo adequado, as mulheres podem superar esse desafio, desde que recebam as oportunidades necessárias. Aurelia foi a única mulher a participar da F4 Brasil em 2022, e se mudou para a Itália aos 15 anos para treinar na Ferrari Driver Academy.

Outro nome promissor é o de Vicky Farfus, de apenas 14 anos. Com o apoio da Iron Dames e integrante do Young Program da F1 Academy, Vicky conquistou o quarto lugar no Mundial de Kart, o melhor resultado de uma mulher na história do campeonato. Para Bia Figueiredo, Vicky é um dos maiores talentos femininos do automobilismo brasileiro, com potencial para alcançar a Fórmula 1.

Apesar dos avanços, a Fórmula 1 ainda é um território inexplorado pelas mulheres. A última vez que uma mulher competiu na categoria foi em 1992, com a italiana Giovanna Amati. Ao longo da história, apenas cinco mulheres correram na Fórmula 1. Rafaela Ferreira acredita que a falta de representatividade é um dos principais obstáculos, além da necessidade de orçamento, patrocínio, habilidade, talento e dedicação desde cedo. Bia Figueiredo complementa, afirmando que é preciso ter mais meninas começando a correr para aumentar as chances de uma mulher conquistar um espaço na Fórmula 1.

Apesar dos desafios, as pilotas se mostram otimistas e acreditam que a presença feminina na Fórmula 1 é uma questão de tempo. Rafaela Ferreira estima que, em dez anos, uma mulher poderá ocupar um lugar na principal categoria do automobilismo mundial. Enquanto isso, as novas gerações de pilotas continuam trabalhando para realizar o sonho de chegar à Fórmula 1 e abrir caminho para outras mulheres. “Quero chegar lá, mas não quero ser a única”, afirma Aurelia.

Fonte: forbes.com.br

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