Quarta-feira, 01/07/26

Banco Central lança duplicata escritural para digitalizar crédito empresarial

Setor bancário unifica discurso em defesa do BC para blindar instituição de pressão política no futuro
Setor bancário unifica discurso em defesa do BC para blindar – Reprodução

O Banco Central lançou oficialmente nesta terça-feira (30) a duplicata escritural, versão totalmente digital da duplicata tradicional usada em vendas a prazo entre pessoas jurídicas. A ferramenta está em fase de testes e terá adoção gradual até junho de 2028.

O novo modelo permite que todo o ciclo do título — da emissão ao pagamento, negociação ou uso como garantia — seja registrado eletronicamente em sistemas autorizados pelo Banco Central. A proposta é tornar as operações mais seguras, reduzir fraudes e facilitar o acesso ao crédito, especialmente para pequenas e médias empresas.

A duplicata é um documento que representa uma dívida de uma empresa compradora com outra empresa vendedora e costuma ser usada por negócios que vendem produtos ou serviços com pagamento futuro. Antes da digitalização, parte dessas operações dependia de documentos físicos, registros separados e processos manuais, o que aumentava o risco de problemas como informações desencontradas, duplicidade de recebíveis e dificuldades para comprovar a existência do crédito.

Com a duplicata escritural, os dados passam a ficar registrados em ambiente eletrônico, permitindo acompanhar todo o histórico do título. Segundo o Banco Central, o sistema deve oferecer mais transparência nas operações, rastreamento dos recebíveis, redução de fraudes, maior segurança para bancos e empresas e processos mais rápidos e organizados.

Para pequenas e médias empresas, a mudança pode melhorar as condições de acesso a financiamentos. Ao apresentar recebíveis registrados digitalmente, as empresas podem ter mais facilidade para antecipar valores que receberiam no futuro ou oferecer esses créditos como garantia em operações financeiras. O novo sistema também tende a ajudar instituições financeiras a avaliar melhor os riscos, com análise mais precisa da origem e da validade dos recebíveis.

O Banco Central estima que o mercado envolvido nas operações chegue a R$ 11 trilhões, com cerca de 2 milhões de empresas emissoras de duplicatas e 18 mil grandes empresas consideradas sacadoras.

A adoção ocorrerá por etapas. Antes da obrigatoriedade, haverá uma fase de testes para validar o funcionamento do ecossistema digital. O cronograma prevê adesão obrigatória para empresas de grande porte a partir de junho de 2027, para empresas médias até dezembro de 2027 e para pequenas empresas a partir de junho de 2028.

O Banco Central afirma ainda que o novo modelo deve reduzir problemas comuns no mercado de recebíveis, como a negociação do mesmo crédito mais de uma vez ou a dificuldade para verificar se uma dívida realmente existe. Com o registro digital, bancos, fundos e empresas poderão consultar informações sobre a situação de cada duplicata.

Apesar dos avanços, o texto informa que a tecnologia não elimina todos os riscos, e que as empresas continuarão precisando manter controles internos, documentos fiscais corretos e organização financeira. A mudança também exigirá integração entre áreas financeiras, fiscais, comerciais e jurídicas para que notas fiscais, pagamentos, contratos e registros digitais estejam alinhados.

Com informações da Agência Brasil

T LB

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *