Segunda-feira, 22/06/26

Black Friday deve movimentar R$ 5,4 bilhões no comércio do país

Black Friday

O comércio brasileiro está se preparando para uma movimentação recorde *neste ano*, com projeções indicando um volume de vendas de *R$ 5,4 bilhões*. Essa temporada de compras, que tem seu ápice na sexta-feira da próxima semana (28), representa um impulsionamento significativo para diversos setores. A estimativa é da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).

A projeção da CNC aponta um crescimento de *2,4%* em comparação com o ano anterior (R$ 5,27 bilhões), já descontada a inflação do período. O economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, ressalta que a pesquisa abrange o impacto ao longo de todo o mês de novembro, refletindo uma característica da **Black Friday** brasileira.

Atualmente, a **Black Friday** se consolidou como a quinta data mais importante para o comércio nacional, ficando atrás apenas do Natal, Dia das Mães, Dia das Crianças e Dia dos Pais.

Setores que Lideram as Vendas na Black Friday

Alguns setores se destacam com expectativas de maiores vendas durante o período. A diversidade de produtos e serviços oferecidos impulsiona a movimentação econômica no evento.

  • Hiper e supermercados: R$ 1,32 bilhão
  • Eletroeletrônicos e utilidades domésticas: R$ 1,24 bilhão
  • Móveis e eletrodomésticos: R$ 1,15 bilhão
  • Vestuário, calçados e acessórios: R$ 950 milhões
  • Farmácias, perfumarias e cosméticos: R$ 380 milhões
  • Livrarias, papelarias, informática e comunicação: R$ 360 milhões

Fatores de Influência no Mercado

A CNC destaca que a economia brasileira tem apresentado condições favoráveis para o aumento do volume de vendas no evento. A desvalorização do dólar, a desaceleração da inflação e o crescimento do emprego e da renda média do trabalhador contribuem para um cenário positivo.

A taxa de desemprego no país atingiu *5,6%* no trimestre encerrado em setembro, o menor patamar registrado desde 2002, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Por outro lado, existem fatores que podem limitar um crescimento ainda maior das vendas durante a temporada de compras. O elevado nível das taxas de juros e o alto índice de famílias endividadas são considerados obstáculos.

Um levantamento do Banco Central indica que a taxa média de juros das operações de crédito livre para pessoas físicas está em *58,3% ao ano*, o maior nível para este período desde 2017. Além disso, a CNC revela que *30,5%* das famílias brasileiras possuem contas em atraso, impactando diretamente o poder de compra.

A concorrência com o setor externo, através das importações, também representa um desafio, com muitos consumidores optando por adquirir produtos de lojas estrangeiras.

Descontos Reais e a História do Evento

A CNC realizou um acompanhamento diário de 150 preços em 30 categorias para analisar os descontos médios. O estudo mostrou que *70%* das categorias apresentavam um elevado potencial de redução, com preços já em tendência de queda superior a 5%.

As categorias com os *maiores descontos* observados no evento foram:

  • Papelaria: 10,14%
  • Livros: 9,02%
  • Joias e Bijuterias: 9,01%
  • Perfumaria: 8,20%
  • Utilidades Domésticas: 8,18%
  • Higiene Pessoal: 8,11%
  • Moda: 7,82%

A Origem da Black Friday

A **Black Friday** brasileira tem sua inspiração na tradicional queima de estoques promovida por comerciantes nos Estados Unidos após o Dia de Ação de Graças, celebrado na última quinta-feira de novembro. No Brasil, o evento ganhou força ao longo dos anos.

Em 2010, a movimentação inicial foi de R$ 1,52 bilhão. Naquela época, apenas os segmentos de móveis e eletrodomésticos, livrarias e papelarias, e lojas de utilidades domésticas e eletroeletrônicos participavam ativamente do evento.

Comprando com Segurança na Black Friday

A temporada de promoções do evento também é marcada pela presença de golpistas e fraudadores, exigindo *atenção redobrada* dos consumidores. É fundamental estar vigilante para evitar armadilhas.

A Secretaria Nacional do Consumidor (Senacon), vinculada ao Ministério da Justiça e Segurança Pública, disponibiliza um guia completo para auxiliar os consumidores a fazer compras seguras e diminuir as chances de serem enganados.

Orientações para uma Compra Segura

  • Desconfie de descontos irreais: promoções exageradas podem ocultar preços inflacionados previamente. Utilize ferramentas online para acompanhar e comparar o histórico de preços dos produtos desejados.
  • Cheque a reputação da loja: pesquise em sites de reclamações, especialmente ao comprar em plataformas desconhecidas.
  • Atenção à entrega e aos reembolsos: verifique cuidadosamente os prazos de entrega e as políticas de reembolso antes de finalizar qualquer compra.
  • Prefira sites seguros: certifique-se de que o endereço do site começa com “https” e observe a presença do ícone de cadeado ao lado da URL.
  • Direito de arrependimento: em compras online, o consumidor tem o direito de se arrepender em até sete dias após o recebimento do produto, com reembolso total garantido.
  • Em caso de suspeita de propaganda enganosa ou lesão em uma compra, denuncie no portal Consumidor.gov.br ou no Procon do seu estado.

Alerta para Golpes com Inteligência Artificial (IA)

Uma pesquisa recente divulgada pelo Reclame Aqui revelou que *63%* dos consumidores têm dificuldades em identificar golpes que utilizam inteligência artificial (IA). A sofisticação dessas fraudes exige *maior cautela* por parte dos compradores nesta **Black Friday**.

O escritório Baptista Luz Advogados, parceiro do Reclame Aqui, orienta sobre como identificar possíveis golpes elaborados por IA:

  • Vídeos e vozes artificiais: observe falas descompassadas, piscadas fora de ritmo ou vozes com entonação robótica, que podem indicar manipulação por IA.
  • Anúncios com celebridades ou influenciadores em contextos incomuns: desconfie quando o rosto ou a voz de uma figura pública aparece promovendo algo que ela nunca divulgou oficialmente.
  • Mensagens muito formais, repetitivas ou com erros sutis: e-mails ou textos com linguagem excessivamente formal, frases repetitivas ou pequenos erros de concordância e pontuação podem ser sinais de um bot.
  • Perfis falsos com aparência profissional: contas recém-criadas em redes sociais, sem histórico consistente de postagens ou com muitos comentários automatizados, são indicativos de fraude.
  • Imagens ou logotipos distorcidos: a IA ainda pode falhar em pequenos detalhes. Logos ligeiramente diferentes, sombras inconsistentes, ou objetos com proporções estranhas em imagens promocionais são pistas de manipulação digital.
  • Comunicações que simulam atendimento humano: chats, e-mails ou mensagens com “atendentes” que parecem reais, mas respondem de forma genérica e robótica.

Por Correio de Santa Maria, com informações de Agência Brasil e Confederação Nacional do Comércio (CNC).

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