Terça-feira, 11/08/26

Blitz do Autismo promove conscientização sobre superdotação em ação na UnB

Blitz do Autismo promove conscientização sobre superdotação em ação na UnB
Blitz do Autismo promove conscientização sobre superdotação em ação na – Reprodução

​O posto da Polícia Militar localizado na Universidade de Brasília (UnB) recebeu, na segunda-feira (10/8), mais uma edição da Blitz do Autismo. A iniciativa foi realizada pelo Sindicato dos Servidores do Poder Judiciário e do MPU no Distrito Federal (Sindjus), em parceria com o Movimento do Orgulho Autista Brasil (Moab Brasil) e forças de segurança.

​Nesta edição, a ação teve um tema especial: a superdotação, também conhecida como altas habilidades, cuja data de conscientização é celebrada em 15 de agosto.

​Durante a Blitz, motoristas que passavam pelo posto da PM na UnB eram abordados pelas equipes e recebiam orientações sobre a superdotação e a importância de promover uma sociedade mais inclusiva.

​O Sindjus produziu e distribuiu cartilhas específicas sobre o tema, com informações para ajudar a população a reconhecer a condição, compreender desafios e contribuir para a inclusão de pessoas com altas habilidades nos diferentes espaços da sociedade.

​O presidente do Sindjus, Costa Neto, ressaltou o papel central da entidade nessa conscientização: “Apoiar essa pauta é fundamental para garantir direitos e dar visibilidade a uma realidade que exige acolhimento, informação e políticas públicas efetivas de inclusão”.

​A iniciativa contou com a participação de integrantes da Polícia Militar, da Polícia Rodoviária Federal e da Polícia Judicial. A presença das corporações reforçou a proposta de utilizar os espaços das forças de segurança também como instrumentos de conscientização e disseminação de informação.

​O agente da Polícia Rodoviária Federal Paulo Rocha, diagnosticado na fase adulta com altas habilidades, foi um dos participantes. A experiência pessoal fez com que ele conhecesse de perto uma realidade que, muitas vezes, é cercada por estereótipos.
​Embora a superdotação seja frequentemente associada apenas à facilidade de aprendizado, à inteligência e ao desempenho acima da média, Rocha destaca que a condição também pode trazer desafios importantes para o cotidiano.

​“As pessoas que têm altas habilidades convivem com muita cobrança, perfeccionismo e dificuldade de entender o ritmo das outras pessoas”, afirmou o agente.

​A superdotação, assim como o autismo e o TDAH, está relacionada à neurodivergência e pode se manifestar de diferentes maneiras.

​Entre as características e os desafios que podem estar presentes estão a hipersensibilidade, o hiperfoco, a necessidade de estímulos intelectuais e as dificuldades de adaptação a determinados ambientes e expectativas sociais.

​No Brasil, mais de 7 mil pessoas com superdotação já foram oficialmente identificadas por meio de testes, enquanto estimativas estatísticas apontam que o número real pode ultrapassar 4 milhões de pessoas.

​A diferença entre os números está relacionada, entre outros fatores, à falta de identificação e à baixa realização de avaliações formais, especialmente durante a vida escolar.

​Para Daniela Mendes, diretora do Sindjus e mãe de uma pessoa com altas habilidades, é fundamental ampliar o conhecimento da sociedade sobre o tema e superar a ideia de que a superdotação representa apenas vantagens.

​“Não são só vantagens. Pessoas com altas habilidades enfrentam situações que são parecidas com as vivenciadas por pessoas com TEA. Hipersensibilidade, hiperfoco e outros desafios fazem parte dessa realidade”, explicou.

​O presidente de honra do Moab Brasil e inspetor da PRF, Fernando Cotta, também destacou a importância de iniciativas que aproximem a população do tema: “Precisamos incluir essas pessoas e desmistificar muitos estigmas”, afirmou.

T LB

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