Jair Bolsonaro (PL) assistiu pela TV à votação da urgência da anistia na quarta-feira à noite. Os 311 votos a favor do requerimento foram acima da expectativa do ex-presidente.
O que aconteceu
A informação é do deputado Sanderson (PL-RS), que esteve com Bolsonaro ontem. Os dois conversaram durante duas horas em visita autorizada pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).
O ex-presidente reiterou que deseja a anistia para todos, inclusive para ele mesmo. O discurso vai contra o que Bolsonaro falava no começo da discussão sobre assunto. Ele dizia que não trabalhava para si e que desejava ajudar pessoas humildes que estavam presas.
Bolsonaro pediu para seus aliados trabalharem contra a “anistia light”. Ontem, houve a sinalização de que a tendência é a Câmara aprovar a redução das penas e não o perdão total aos condenados pelo 8 de Janeiro.
O relator do projeto foi na contramão da posição dos bolsonaristas. Paulinho da Força (Solidariedade-SP) disse que “anistia ampla, geral e irrestrita é impossível”. Ele acrescentou que seu texto vai decepcionar os extremistas, sejam da direita ou da esquerda.
Bolsonaro pediu esforço para derrubar qualquer “anistia light”. Sanderson disse que o ex-presidente ressaltou que Paulinho da Força controla somente o próprio voto. Caso as demandas da oposição não sejam atendidas, a orientação é apresentar outro texto.
Bolsonaro vomitou e estava abatido
Sanderson contou que Bolsonaro acompanha a política pela TV. O deputado acrescentou que o ex-presidente só não passa o dia em frente a televisão porque toma muitos remédios e está sonolento.
Os dois conversaram por duas horas e, segundo o deputado, não mencionaram Hugo Motta. Bolsonaristas afirmam que ele teria se comprometido a colocar a anistia para votar em troca de apoio para se eleger presidente da Câmara em fevereiro passado. Na quarta, teria iniciado o cumprimento deste compromisso.
A situação de saúde de Bolsonaro fez a conversa ser interrompida. O deputado falou que o ex-presidente soluçou o tempo todo e vomitou duas vezes. Ele estaria magro, com olheiras e abatido, segundo o relato.
Bolsonaro e Sanderson se reuniram no escritório da casa. Ficaram sozinhos porque Michelle e filha do casal não estavam. Policiais penais vigiavam o terreno e a entrada da residência.
O ex-presidente teria manifestado preocupação com o câncer de pele. Usando camisa e bermuda da seleção de Portugal, deixou à mostra a parte do antebraço direito de onde foi removida a pele.
Mesmo com os problemas de saúde, a disposição para se candidatar está mantida. Sanderson disse que ouviu esta intenção e ressaltou que é uma forma de evitar que o STF envie Bolsonaro para a Papuda. Mas a Justiça Eleitoral declarou que Bolsonaro está inelegível até 2030.
Correio de Santa Maria, com informação é do deputado Sanderson (PL-RS








