Um dia antes da abertura da conferência, representantes de 29 países assinaram o acordo que cria a WAICO, uma espécie de “ONU da IA” que terá sede em Xangai. O Brasil está entre os países fundadores, e o acordo continuará aberto para novas assinaturas.
Só que as ausências chamam ainda mais atenção. Nem os Estados Unidos, nem os países da União Europeia aparecem entre os fundadores. Os americanos, aliás, estão construindo seu próprio arranjo, a Pax Sílica, voltado à coordenação entre aliados nas cadeias de semicondutores, minerais críticos, energia e infraestrutura de IA.
A lista de fundadores ajuda, portanto, a entender o propósito da nova organização. Enquanto boa parte dos arranjos internacionais mais influentes nasceu das preocupações dos países ricos, como a segurança dos modelos de fronteira e o controle da infraestrutura, a WAICO tenta deslocar o debate para outra direção.
Seu ponto de partida é o desenvolvimento e a soberania dos países que ficaram para trás no acesso à tecnologia. A organização promete capacitação, transferência de conhecimento e infraestrutura compartilhada para reduzir essa desigualdade. É a primeira organização intergovernamental de IA desenhada a partir dos problemas do Sul Global.
E a China aproveitou a ocasião do evento para provar que tem mais a oferecer do que diplomacia. No mesmo dia da assinatura, coincidentemente ou não, a startup Moonshot AI lançou o Kimi K3, modelo aberto que disputa de igual para igual com os melhores sistemas fechados americanos.
O desempenho do novo modelo chinês chamou atenção por ter superado o Fable em alguns testes de avaliação. O modelo de IA da Anthropic foi considerado tão avançado que o governo americano chegou a proibir o acesso de estrangeiros à tecnologia.








