A capital federal registrou a maior expansão absoluta de feições urbanizadas entre os municípios brasileiros em três anos. O aumento dos índices em Brasília foi de 72,08 km² entre 2019 e 2022, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com esse crescimento, a cidade passou da terceira para a segunda posição no ranking dos municípios com maiores extensões de feições urbanizadas, chegando a 662,54 km² em 2022.
O aumento foi maior que o dobro do registrado em São Luís (MA), que teve a segunda maior expansão, marcando 35,76km². Os dados são do mapeamento Áreas Urbanizadas do Brasil 2022, divulgado pelo órgão nesta terça-feira (18).
Para Fernando Luiz Araújo Sobrinho, professor de Geografia da Universidade de Brasília (UnB), o ritmo de expansão urbana acelerada no DF está relacionado às especificidades do Distrito Federal, principalmente pelos grandes fluxos migratórios.
“Temos uma localização como área de contato entre o Centro-Oeste, o Sudeste, o Norte e o Nordeste do Brasil. Somos a capital do país, uma cidade dinâmica geradora de trabalho. Ou seja, a concentração de renda em Brasília é muito grande. Isso acaba gerando uma demanda por serviços e obviamente por geração de postos de trabalho, principalmente no setor público. Isso acaba fazendo com que a população busque morar em Brasília”, explica.
Essa tendência se estende a todas as regiões administrativas. De acordo com Sobrinho, isso está ligado a dois processos: urbanização horizontal e um adensamento vertical. “ O Distrito Federal tem esses dois processos. Ele tem uma urbanização horizontal em algumas RAs. Por exemplo, Planaltina, Paranoá, Gama, é possível ver uma horizontalização, esse espraiamento urbano, onde a cidade se expande horizontalmente. Em outras áreas há um adensamento vertical. Águas Claras, Ceilândia, Taguatinga. A cidade está se expandindo horizontalmente e adensando verticalmente praticamente em quase todo o território do Distrito Federal”, esclarece.
Em 2022, das 662,54 km² áreas de feições urbanizadas, 87% eram classificadas como densas, o que equivale a 575,82 km². Brasília ficou atrás apenas de São Paulo, que apresentou 922,41 km² de feições urbanizadas. O Rio de Janeiro, que ocupava a segunda posição em 2019, passou para o terceiro lugar, com 644,36 km² em 2022.
A classificação por densidade das feições está atrelada ao nível de ocupação humana de determinada área. Entre os fatores de avaliação estão a quantidade de edificações presentes, espaçamento entre os imóveis e a disponibilidade de espaço vazio e arborização.
O adensamento na capital federal, no entanto, não significa grande concentração urbana. Águas Claras, por exemplo, há uma quantidade significativa de habitantes e de prédios, mas em sua maioria, com dois a três moradores por apartamento, avalia Sobrinho.
“Percebemos que o adensamento de construção não significa aumento tão significativo do número de pessoas, porque podemos ter poucas pessoas morando numa unidade habitacional. O que acontece é que o DF está tanto enchendo de pessoas, como também está se expandindo mais horizontalmente. Também é necessário destacar o crescimento das cidades do entorno em função de Brasília, principalmente as que ficam localizadas no entorno sul”, argumenta.
O levantamento releva o ritmo e a intensidade com que as áreas naturais ou rurais são urbanizadas. Segundo o IBGE, o principal objetivo do levantamento é mapear e mensurar as formas urbanas e a distribuição a nível nacional. A pesquisa também fornece dados que podem ser utilizados posteriormente para planejamento urbano, implementação de infraestruturas públicas e pode impactar análises de questões como mobilidade, habitação e sustentabilidade.








