Terça-feira, 18/08/26

Brasília tem maior expansão de área urbanizada do país, aponta IBGE

Brasília tem maior expansão de área urbanizada do país, aponta IBGE
Brasília tem maior expansão de área urbanizada do país, aponta – Reprodução

A capital federal registrou a maior expansão absoluta de feições urbanizadas entre os municípios brasileiros em três anos. O aumento dos índices em Brasília foi de 72,08 km² entre 2019 e 2022, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Com esse crescimento, a cidade passou da terceira para a segunda posição no ranking dos municípios com maiores extensões de feições urbanizadas, chegando a 662,54 km² em 2022.

O aumento foi maior que o dobro do registrado em São Luís (MA), que teve a segunda maior expansão, marcando 35,76km². Os dados são do mapeamento Áreas Urbanizadas do Brasil 2022, divulgado pelo órgão nesta terça-feira (18).

Para Fernando Luiz Araújo Sobrinho, professor de Geografia da Universidade de Brasília (UnB), o ritmo de expansão urbana acelerada no DF está relacionado às especificidades do Distrito Federal, principalmente pelos grandes fluxos migratórios.

“Temos uma localização como área de contato entre o Centro-Oeste, o Sudeste, o Norte e o Nordeste do Brasil. Somos a capital do país, uma cidade dinâmica geradora de trabalho. Ou seja, a concentração de renda em Brasília é muito grande. Isso acaba gerando uma demanda por serviços e obviamente por geração de postos de trabalho, principalmente no setor público. Isso acaba fazendo com que a população busque morar em Brasília”, explica.

Essa tendência se estende a todas as regiões administrativas. De acordo com Sobrinho, isso está ligado a dois processos: urbanização horizontal e um adensamento vertical. “ O Distrito Federal tem esses dois processos. Ele tem uma urbanização horizontal em algumas RAs. Por exemplo, Planaltina, Paranoá, Gama, é possível ver uma horizontalização, esse espraiamento urbano, onde a cidade se expande horizontalmente. Em outras áreas há um adensamento vertical. Águas Claras, Ceilândia, Taguatinga. A cidade está se expandindo horizontalmente e adensando verticalmente praticamente em quase todo o território do Distrito Federal”, esclarece.

Em 2022, das 662,54 km² áreas de feições urbanizadas, 87% eram classificadas como densas, o que equivale a 575,82 km². Brasília ficou atrás apenas de São Paulo, que apresentou 922,41 km² de feições urbanizadas. O Rio de Janeiro, que ocupava a segunda posição em 2019, passou para o terceiro lugar, com 644,36 km² em 2022.

A classificação por densidade das feições está atrelada ao nível de ocupação humana de determinada área. Entre os fatores de avaliação estão a quantidade de edificações presentes, espaçamento entre os imóveis e a disponibilidade de espaço vazio e arborização.

O adensamento na capital federal, no entanto, não significa grande concentração urbana. Águas Claras, por exemplo, há uma quantidade significativa de habitantes e de prédios, mas em sua maioria, com dois a três moradores por apartamento, avalia Sobrinho.

“Percebemos que o adensamento de construção não significa aumento tão significativo do número de pessoas, porque podemos ter poucas pessoas morando numa unidade habitacional. O que acontece é que o DF está tanto enchendo de pessoas, como também está se expandindo mais horizontalmente. Também é necessário destacar o crescimento das cidades do entorno em função de Brasília, principalmente as que ficam localizadas no entorno sul”, argumenta.

O levantamento releva o ritmo e a intensidade com que as áreas naturais ou rurais são urbanizadas. Segundo o IBGE, o principal objetivo do levantamento é mapear e mensurar as formas urbanas e a distribuição a nível nacional. A pesquisa também fornece dados que podem ser utilizados posteriormente para planejamento urbano, implementação de infraestruturas públicas e pode impactar análises de questões como mobilidade, habitação e sustentabilidade.

T LB

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