Quarta-feira, 13/05/26

Câmara debate integração de políticas para primeira infância nos 10 anos do Marco Legal

Câmara debate integração de políticas para primeira infância nos 10 anos do Marco Legal
Câmara debate integração de políticas para primeira infância nos 10 – Reprodução

Em audiência pública realizada nesta terça-feira (12) na Câmara dos Deputados, promovida pelas comissões de Previdência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família e de Saúde, gestores e parlamentares defenderam a integração de políticas para crianças de 0 a 6 anos, marcando os dez anos do Marco Legal da Primeira Infância. A legislação estabelece princípios para a proteção e o desenvolvimento das crianças pequenas, e os debatedores enfatizaram que essa fase representa uma ‘janela de oportunidades’ devido à capacidade acelerada de aprendizado e resposta a estímulos.

Representantes do governo federal apresentaram avanços na implementação da lei. No Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social, o coordenador Ikaro Flávio de Freitas destacou o reordenamento do programa Criança Feliz e o adicional do Bolsa Família para a primeira infância como medidas essenciais de proteção social e convívio familiar. Na área da educação, o subsecretário Alexsandro do Nascimento Santos informou que o Ministério da Educação está organizando as filas de creches por meio de uma plataforma digital, após identificar 600 mil crianças aguardando vagas. Já o Ministério da Saúde, segundo a diretora Karina Wengerkievicz, foca na redução da mortalidade infantil, fortalecimento da atenção primária e vacinação, investindo nessa fase para impactos duradouros na vida individual, familiar e comunitária.

Apesar dos progressos, desafios persistem. A analista Verônica Teixeira Glória, da Fundação Maria Cecília Souto Vidigal, revelou que 63,2% das crianças brasileiras de 0 a 6 anos, equivalente a mais de 11 milhões, vivem em famílias de baixa renda, necessitando de maior atuação do poder público. Ela também alertou que 70% dos casos de violência sexual contra essa faixa etária ocorrem no ambiente doméstico, agravados por pobreza e violência familiar.

Entre as sugestões apresentadas, o deputado Osmar Terra (PL-RS), autor do Marco Legal, defendeu a ampliação das visitas domiciliares para identificar problemas como violência, miséria e falta de alimentos nas famílias mais pobres. A deputada Amanda Gentil (PP-MA) propôs discutir o fim da escala de trabalho 6×1, argumentando que mais tempo de convívio familiar beneficia o desenvolvimento infantil. Os participantes também clamaram por um orçamento estável para transformar ações governamentais em políticas de Estado permanentes.

T LB

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