Terça-feira, 18/08/26

Candidaturas negras se unem por mais espaço na política do DF

Candidaturas negras se unem por mais espaço na política do DF
Candidaturas negras se unem por mais espaço na política do – Reprodução

Movimentos negros do Distrito Federal reuniram, nesta segunda feira (17/8), candidatos de diferentes partidos em uma articulação pela ampliação da presença negra na política. O 1º Encontro de Candidatos e Candidatas Negras do Campo Democrático do DF ocorreu no Teatro dos Bancários, na Asa Sul, e contou com 25 candidaturas confirmadas para as eleições deste ano.

A mobilização reúne nomes do PT, Psol, PCdoB, Rede Sustentabilidade, PDT, PSB e PV. Entre os participantes estão seis candidatos à Câmara dos Deputados, 18 à Câmara Legislativa do Distrito Federal e uma candidata à vice governadoria. A iniciativa foi organizada pelo Nosso Coletivo Negro do DF, Movimento Negro Unificado, Clube Social Negro, Coletivo Afuana e Coletivo Yaa Asantewaa, com apoio do Sindicato dos Bancários.

Além de reunir candidatos, o encontro buscou criar uma agenda comum para a disputa eleitoral. A programação incluiu a assinatura de uma carta compromisso pelo combate ao racismo e ao sexismo e o relançamento da cartilha Candidaturas Negras, voltada à formação de candidatos e à construção de propostas políticas com perspectiva antirracista.

ocupação dos espaços de poder

Para a vice candidata ao Governo do DF na chapa de Leandro Grass, Dora Gomes (PV), a presença de pessoas negras nas urnas é apenas uma parte da disputa. Segundo ela, o desafio está em garantir condições para que essas candidaturas também consigam chegar aos espaços de decisão.

“Temos um número grande de representantes da raça negra se candidatando. Mas o grande ponto para mim, enquanto representante da raça negra, não é só ser candidata, é ser eleita.”

Dora afirmou que a mobilização pretende ir além da representação visual nas eleições e buscar uma participação efetiva na política.

“Quero fazer esse movimento para que a gente possa não só ter nosso rosto na urna, mas também chegar ao espaço do poder de decisão.”

A presença de candidaturas negras ocorre em um cenário no qual a legislação eleitoral já prevê mecanismos de incentivo à participação de pessoas negras. Nas eleições, partidos e federações precisam observar regras específicas para a distribuição dos recursos do Fundo Eleitoral e do tempo de propaganda destinados a candidaturas negras. A questão do acesso a recursos é justamente um dos pontos que influencia a capacidade de uma candidatura de disputar espaço durante a campanha.

Carta cobra compromisso com a população negra

Entre os participantes do encontro estava o deputado distrital Max Maciel (Psol), que destacou ao JBr a construção de compromissos políticos além da própria eleição. Segundo ele, a articulação pretende fortalecer a presença negra nos parlamentos e cobrar resultados de quem já ocupa mandato.

“Nós, em 2022, também tivemos essa agenda, pegamos um monte de recomendações e hoje a gente vem prestar conta também para o MNU do que nós fizemos enquanto um mandato para a população negra.”

Maciel também defendeu que a articulação tenha como resultado uma atuação política voltada à redução das desigualdades e à construção de políticas públicas.

“É de suma importância a gente aquilombar os parlamentos, mas não só isso. É a gente assumir uma carta de compromisso com o povo negro diante de tantas desigualdades sociais, na busca da equidade nas políticas públicas.”

A ideia de ampliar a presença negra no Legislativo também aparece em discussões recentes da Câmara. Em manifestações no plenário, Maciel tem defendido políticas voltadas à população negra e discutido temas relacionados à cultura, ao trabalho e à ocupação dos espaços urbanos.

Sete partidos na mesma articulação

O Psol concentra o maior número de candidaturas confirmadas no encontro, com nove nomes, sendo três para a Câmara dos Deputados e seis para a CLDF. O PT aparece com sete candidaturas, duas para deputado federal e cinco para deputado distrital.

Também participam da articulação candidatos do PCdoB, com uma candidatura distrital, da Rede, com uma federal e uma distrital, do PDT, com três distritais, e do PSB, com duas candidaturas à CLDF. Pelo PV, a representação fica com Dora Gomes, candidata a vice governadora na chapa de Leandro Grass.

Entre os nomes apresentados para a Câmara dos Deputados estão Marivaldo e Ruth Venceremos, pelo PT, Adriano Fiúza, Fábio Felix e Ludmila Suaid, pelo Psol, e Maria Cleudes, pela Rede.

Na disputa pela Câmara Legislativa aparecem Andrey Lemos, Dayse Hansa, Rosi Costa e Pardim, pelo PT, Professor Elias, pelo PCdoB, Keka Bagno, Max Maciel, Moustafa Gnandi, Natty Vieira, Professora Ray e Madu Krasny, pelo Psol, Miranda Gomes, pela Rede, Paulinho Campello, Weila Almeida e Zaque, pelo PDT, além de Pablo Feitosa e Professor Douglas Gomes, pelo PSB.

A programação também foi marcada por homenagens a Roseli Faria, ativista, servidora pública e candidata a deputada federal em 2022, e a Mário Lisboa Theodoro, ativista, intelectual e ex secretário executivo do Ministério da Igualdade Racial.

A articulação pretende acompanhar as candidaturas ao longo do processo eleitoral e manter uma agenda conjunta em torno da representação política, do combate ao racismo e da formulação de políticas públicas para a população negra do Distrito Federal.

T LB

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