CDC Altera Posição sobre Vacinas e Autismo
A seção de segurança de vacinas do site do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos foi reformulada na quarta-feira.
Esta alteração alinha-se à opinião de Robert F. Kennedy Jr., Secretário de Saúde do país, que defende que as vacinas infantis causam autismo.
Tal posicionamento contradiz décadas de evidências científicas que comprovam a segurança das vacinas.
Na noite de quarta-feira, o site da agência de saúde pública dos EUA passou a afirmar que “a alegação ‘as vacinas não causam autismo’ não é baseada em evidências”.
Isso ocorre porque, segundo a nova redação, “os estudos não descartaram a possibilidade de que as vacinas infantis causem autismo”.
O texto também adicionou que as autoridades de saúde supostamente “ignoram” estudos que apoiam uma ligação entre vacinas e autismo.
Por muitas décadas, o CDC consistentemente apoiou o uso de vacinas infantis, tanto dentro dos EUA quanto internacionalmente.
Anteriormente, o site da agência declarava que “estudos demonstraram que não há ligação entre o recebimento de vacinas e o desenvolvimento do transtorno do espectro do autismo”.
Contudo, desde que Robert F. Kennedy Jr., um cético das vacinas, e o presidente dos EUA, Donald Trump, assumiram seus cargos, a agência iniciou um processo de reversão dessa posição.
O CDC afirmou que reexaminará os dados existentes.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) e outras agências globais de saúde têm afirmado reiteradamente que as evidências científicas demonstram que as vacinas não causam autismo.
Ao serem questionadas sobre a mudança no site do CDC na quinta-feira, essas entidades relembraram suas declarações anteriores.
Em setembro, o CDC havia declarado: “Existe uma base de evidências robusta e extensa que mostra que as vacinas infantis não causam autismo”.
Naquela ocasião, a agência acrescentou que “estudos grandes e de alta qualidade de muitos países chegaram à mesma conclusão”.
O CDC também ressaltou que “os estudos originais que sugeriam uma ligação eram falhos e foram desacreditados”.
Vacinas e Autismo: O Debate no CDC
Apesar das alterações no conteúdo, o CDC manteve o título “Vacinas não causam autismo” em seu site.
Essa decisão foi atribuída a um acordo com o senador Bill Cassidy, que preside o Comitê de Saúde, Educação, Trabalho e Pensões do Senado dos EUA.
Em fevereiro, Kennedy obteve o apoio de Cassidy, que é médico.
Parte desse endosso foi garantida pela promessa de Kennedy de não modificar a linguagem do site do CDC sobre vacinas e autismo.
Atualmente, sob o título sobre vacinas, o site do CDC indica que a agência e outras entidades de saúde dos EUA promoveram a visão de que vacinas não causam autismo.
O intuito declarado era evitar a hesitação da população em relação à vacinação.
Demetre Daskalakis, ex-chefe do Centro Nacional de Imunização e Doenças Respiratórias do CDC, que se demitiu em agosto, classificou as mudanças no site como uma emergência de saúde pública.
Em uma postagem na rede social X, Daskalakis afirmou: “O armamento da voz do CDC está piorando”.
Ele ainda acrescentou: “O CDC foi atualizado para causar o caos sem base científica. NÃO CONFIEM NESSA AGÊNCIA.”
Susan Monarez, ex-diretora do CDC, foi demitida por Kennedy no início deste ano devido a divergências sobre a política de vacinas.
Atualmente, a agência é liderada por Jim O’Neill, o diretor interino e vice-secretário do HHS, que não possui formação científica.
Reações e Perspectivas sobre a Segurança das Vacinas
O grupo antivacina Children’s Health Defense, anteriormente liderado por Kennedy, expressou seu apoio às modificações no site do CDC.
Em uma declaração na rede social X, o grupo afirmou: “O CDC está começando a reconhecer a verdade sobre essa condição que afeta milhões de pessoas, rejeitando a mentira ousada e de longa data de que ‘as vacinas não causam autismo’”.
Kennedy tem associado as vacinas ao autismo e busca redefinir as políticas de imunização nacionais.
Por sua vez, Trump também ligou o autismo ao uso de Tylenol por gestantes, uma afirmação igualmente sem base em evidências científicas.
O autismo é definido como uma condição neurológica e de desenvolvimento, caracterizada por interrupções na sinalização cerebral.
Essas interrupções levam a comportamentos, formas de comunicação, interações sociais e processos de aprendizagem atípicos.
As causas exatas do autismo permanecem incertas.
Até o momento, nenhum estudo rigoroso e validado encontrou qualquer ligação entre o autismo e vacinas, medicamentos ou componentes específicos como timerosal ou formaldeído.
Por Correio de Santa Maria, com informações de InfoMoney.







