Sábado, 06/12/25

Centro de Controle de Doenças dos EUA adota opiniões antivacina de Kennedy em site

Vacinas e Autismo

CDC Altera Posição sobre Vacinas e Autismo

A seção de segurança de vacinas do site do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) dos Estados Unidos foi reformulada na quarta-feira.

Esta alteração alinha-se à opinião de Robert F. Kennedy Jr., Secretário de Saúde do país, que defende que as vacinas infantis causam autismo.

Tal posicionamento contradiz décadas de evidências científicas que comprovam a segurança das vacinas.

Na noite de quarta-feira, o site da agência de saúde pública dos EUA passou a afirmar que “a alegação ‘as vacinas não causam autismo’ não é baseada em evidências”.

Isso ocorre porque, segundo a nova redação, “os estudos não descartaram a possibilidade de que as vacinas infantis causem autismo”.

O texto também adicionou que as autoridades de saúde supostamente “ignoram” estudos que apoiam uma ligação entre vacinas e autismo.

Por muitas décadas, o CDC consistentemente apoiou o uso de vacinas infantis, tanto dentro dos EUA quanto internacionalmente.

Anteriormente, o site da agência declarava que “estudos demonstraram que não há ligação entre o recebimento de vacinas e o desenvolvimento do transtorno do espectro do autismo”.

Contudo, desde que Robert F. Kennedy Jr., um cético das vacinas, e o presidente dos EUA, Donald Trump, assumiram seus cargos, a agência iniciou um processo de reversão dessa posição.

O CDC afirmou que reexaminará os dados existentes.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) e outras agências globais de saúde têm afirmado reiteradamente que as evidências científicas demonstram que as vacinas não causam autismo.

Ao serem questionadas sobre a mudança no site do CDC na quinta-feira, essas entidades relembraram suas declarações anteriores.

Em setembro, o CDC havia declarado: “Existe uma base de evidências robusta e extensa que mostra que as vacinas infantis não causam autismo”.

Naquela ocasião, a agência acrescentou que “estudos grandes e de alta qualidade de muitos países chegaram à mesma conclusão”.

O CDC também ressaltou que “os estudos originais que sugeriam uma ligação eram falhos e foram desacreditados”.

Vacinas e Autismo: O Debate no CDC

Apesar das alterações no conteúdo, o CDC manteve o título “Vacinas não causam autismo” em seu site.

Essa decisão foi atribuída a um acordo com o senador Bill Cassidy, que preside o Comitê de Saúde, Educação, Trabalho e Pensões do Senado dos EUA.

Em fevereiro, Kennedy obteve o apoio de Cassidy, que é médico.

Parte desse endosso foi garantida pela promessa de Kennedy de não modificar a linguagem do site do CDC sobre vacinas e autismo.

Atualmente, sob o título sobre vacinas, o site do CDC indica que a agência e outras entidades de saúde dos EUA promoveram a visão de que vacinas não causam autismo.

O intuito declarado era evitar a hesitação da população em relação à vacinação.

Demetre Daskalakis, ex-chefe do Centro Nacional de Imunização e Doenças Respiratórias do CDC, que se demitiu em agosto, classificou as mudanças no site como uma emergência de saúde pública.

Em uma postagem na rede social X, Daskalakis afirmou: “O armamento da voz do CDC está piorando”.

Ele ainda acrescentou: “O CDC foi atualizado para causar o caos sem base científica. NÃO CONFIEM NESSA AGÊNCIA.”

Susan Monarez, ex-diretora do CDC, foi demitida por Kennedy no início deste ano devido a divergências sobre a política de vacinas.

Atualmente, a agência é liderada por Jim O’Neill, o diretor interino e vice-secretário do HHS, que não possui formação científica.

Reações e Perspectivas sobre a Segurança das Vacinas

O grupo antivacina Children’s Health Defense, anteriormente liderado por Kennedy, expressou seu apoio às modificações no site do CDC.

Em uma declaração na rede social X, o grupo afirmou: “O CDC está começando a reconhecer a verdade sobre essa condição que afeta milhões de pessoas, rejeitando a mentira ousada e de longa data de que ‘as vacinas não causam autismo’”.

Kennedy tem associado as vacinas ao autismo e busca redefinir as políticas de imunização nacionais.

Por sua vez, Trump também ligou o autismo ao uso de Tylenol por gestantes, uma afirmação igualmente sem base em evidências científicas.

O autismo é definido como uma condição neurológica e de desenvolvimento, caracterizada por interrupções na sinalização cerebral.

Essas interrupções levam a comportamentos, formas de comunicação, interações sociais e processos de aprendizagem atípicos.

As causas exatas do autismo permanecem incertas.

Até o momento, nenhum estudo rigoroso e validado encontrou qualquer ligação entre o autismo e vacinas, medicamentos ou componentes específicos como timerosal ou formaldeído.

Por Correio de Santa Maria, com informações de InfoMoney.

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