Quinta-feira, 16/04/26

Chacina do DF: réu dá detalhes sobre execução das vítimas 

Chacina do DF: réu dá detalhes sobre execução das vítimas 
Chacina do DF: réu dá detalhes sobre execução das vítimas  – Reprodução

Por Amanda Karolyne 

O julgamento do caso que chocou a população e ficou conhecido como “Chacina do DF” está sendo realizado no Fórum de Planaltina. Pela manhã do quarto dia do júri popular, o réu Carloman dos Santos Nogueira deu seu depoimento. No dia anterior, Gideon Batista de Menezes e Fabrício Silva Canhedo foram interrogados, enquanto Horácio Carlos Ferreira Barbosa optou pelo silêncio. Além deles, o réu Carlos Henrique Alves da Silva também irá ser interrogado ainda nesta quinta-feira. As sessões do julgamento estão previstas para acontecer até o fim de semana.

O quinteto é acusado de cometer diversos crimes, entre eles: homicídio qualificado, latrocínio, ocultação de cadáver, extorsão mediante sequestro, associação criminosa qualificada e corrupção de menores.

O caso ocorreu há três anos, quando Marcos Antônio Lopes de Oliveira, 54 anos (patriarca); Renata Juliene Belchior, 52 (esposa de Marcos); Gabriela Belchior de Oliveira, 25 (filha do casal); Thiago Gabriel Belchior de Oliveira (filho do casal); Elizamar da Silva (esposa de Thiago); Rafael, 6 anos, Rafaela, 6, e Gabriel, 7 (filhos de Thiago e Elizamar); Cláudia Regina Marques (ex-mulher de Marcos), 39; e Ana Beatriz Marques de Oliveira (filha de Marcos e Cláudia), foram assassinados em uma série de crimes motivados por ganância financeira.

No interrogatório, Carloman revelou que atirou em Marcos acidentalmente e que a vítima é levada morta para o cativeiro. O réu detalhou como foi a execução das vítimas e ainda descreveu a dinâmica interna do grupo. O réu indicou que Gideon e Horácio foram os responsáveis diretos pelos enforcamentos de Renata e Gabriela. 

Ele descreveu que o enforcamento das duas foi realizado dentro de um veículo. De acordo com Carloman, após os assassinatos, Gideon teria se ferido gravemente ao tentar incendiar o carro com as vítimas, algo que para Carloman foi descrito como o que impossibilitou que ele fosse assassinado também. “Tenho para mim que se o Gideon não se queima nesse momento, eu ia ser morto”, afirmou. O acusado acredita que os articuladores principais – Gideon e Horácio – planejavam eliminar os próprios comparsas após a conclusão dos crimes.

Segundo Carloman, Horácio foi responsável direto pela morte de Thiago. O réu destacou ainda que presenciou o momento em que Thiago é assassinado com uma corda e que depois, Horácio utilizou uma faca para matar Ana Beatriz e Claudia. “Ele passa a faca no pescoço delas e joga para dentro da fossa, e o Thiago já estava morto, ele leva o corpo para lá junto.” Carloman também mencionou que usou cal sobre os cadáveres das duas mulheres e de Thiago na cisterna para tentar camuflar o odor da decomposição.

Em juízo, Carloman contou que à ele foi prometido $ 500 mil, mas ao olhar para tras, mesmo sabendo que nada vai mudar, ele sabe que todos os crimes cometidos não valiam dinheiro nenhum. O réu afirmou que a brutalidade contra as crianças sequestradas foi o que mais tornou o ato injustificável. Ele declarou que decidiu confessar sua participação após acompanhar a repercussão do caso enquanto estava foragido. “Valia dinheiro nenhum o que eu passei ali e nada explica o que fizeram com aquelas crianças, as pessoas não mereciam aquilo não. O acusado se entregou com a intenção de pagar estritamente pelo que cometeu.

T LB

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