Segunda-feira, 28/09/26

China e EUA reduzem tarifas e ampliam diálogo sobre IA

China e EUA reduzem tarifas e ampliam diálogo sobre IA
China e EUA reduzem tarifas e ampliam diálogo sobre IA – Reprodução

China e Estados Unidos concordaram em reduzir tarifas sobre US$ 60 bilhões em mercadorias e ampliar canais de diálogo em áreas como inteligência artificial, agricultura, investimentos e voos diretos, segundo comunicados divulgados pelos dois países após a visita do presidente Xi Jinping a Washington.

De acordo com os textos, os dois lados recomendaram, cada um, US$ 30 bilhões em comércio de bens não sensíveis para um tratamento tarifário mais favorável. Entre os itens citados estão produtos agrícolas, madeira e cosméticos dos EUA, além de pequenos eletrodomésticos, brinquedos e artigos de decoração importados pelos norte-americanos.

A lista apresentada pela Casa Branca indicou que a China pretende reduzir tarifas sobre uma série de produtos agrícolas dos EUA, incluindo milho, trigo, sorgo, carne, laticínios, óleos vegetais e farinhas. Também estão no pacote peixes e frutos do mar, toras, produtos de madeira, cosméticos e dispositivos médicos. A soja não foi incluída.

No sentido inverso, Washington prevê cortes tarifários para pequenos eletrodomésticos chineses, como cafeteiras e torradeiras, além de louças, cobertores, roupas de cama, brinquedos, fogos de artifício, flores artificiais, luzes para árvores de Natal, outras decorações festivas e cadeirinhas infantis para carros.

As medidas foram anunciadas no contexto da segunda cúpula deste ano entre Xi Jinping e Donald Trump, que terminou na sexta-feira, e incluíram também a decisão de prorrogar por dois meses a trégua comercial. Segundo o Ministério do Comércio da China, a extensão até 10 de janeiro dará mais tempo para que os dois lados avaliem o acordo em andamento e mantenham discussões sobre questões econômicas e comerciais. O secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, havia informado na quarta-feira que a trégua deveria expirar em 10 de novembro.

Os dois países também decidiram criar um conselho comercial e um grupo de trabalho sobre agricultura. Segundo o ministério chinês, a primeira reunião da instância voltada ao setor agrícola ocorrerá antes do fim do ano, com foco em acesso a mercados e regulamentação.

Na área de agricultura, a escolha dos produtos reduzidos pela China também foi associada ao compromisso de compras de itens agrícolas dos EUA. O texto chinês afirma que Pequim já retomou a compra em grande escala de soja dos EUA, no âmbito de um acordo firmado no ano passado para adquirir 25 milhões de toneladas métricas por ano. A Casa Branca também citou um compromisso de US$ 17 bilhões para a compra de produtos agrícolas.

Outro ponto divulgado pela Casa Branca foi o acordo para que a China importe 10 milhões de toneladas métricas de carvão por ano dos Estados Unidos em 2027 e 2028. O gás natural liquefeito e o petróleo não constam da lista.

Sobre inteligência artificial, os dois lados concordaram em manter um diálogo sobre riscos e benefícios da tecnologia, com nova rodada de discussões marcada para novembro, além de estabelecer um canal de comunicação para incidentes relacionados à IA. Os comunicados também mencionam a adoção do termo “superinteligência” em vez de “inteligência artificial”.

As autoridades ainda informaram que a China analisará e aprovará instituições de serviços financeiros estrangeiras, inclusive com capital norte-americano, para operar e abrir filiais no país, e que haverá comunicação contínua sobre o aumento do número de voos entre China e Estados Unidos. Os dois lados também disseram que vão se apoiar na organização das próximas reuniões da Apec e do G-20.

T LB

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