Terça-feira, 15/09/26

CNI diz que Brasil precisa dobrar investimento em infraestrutura

CNI diz que Brasil precisa dobrar investimento em infraestrutura
CNI diz que Brasil precisa dobrar investimento em infraestrutura – Reprodução

O Brasil precisa mais que dobrar os investimentos em infraestrutura para reduzir o déficit histórico do setor e se aproximar dos padrões internacionais, aponta um estudo da Confederação Nacional da Indústria (CNI).

Segundo a entidade, em 2024 foram investidos R$ 266,8 bilhões em infraestrutura, o equivalente a 2,27% do PIB. Para alcançar o patamar considerado necessário pela CNI, o país precisaria elevar esse índice para 4,65% do Produto Interno Bruto, cerca de R$ 550 bilhões por ano, e mantê-lo por pelo menos duas décadas.

Do total investido no ano passado, R$ 188,1 bilhões vieram do setor privado, enquanto R$ 78,6 bilhões foram aportes públicos. Estados e municípios responderam pela maior parte dos investimentos públicos. A CNI também informa que, em 2024, as instituições multilaterais responderam por R$ 8,4 bilhões.

O estudo, intitulado Financiamento dos Investimentos em Infraestrutura no Brasil, defende um novo regime de financiamento para ampliar a participação do capital privado e sustentar projetos de longo prazo. Para a entidade, nenhuma fonte de recursos, isoladamente, é capaz de atender às necessidades do país.

Em nota, o presidente da CNI, Ricardo Alban, afirmou que o Brasil precisa de responsabilidade fiscal, instituições sólidas e segurança jurídica para criar condições de mobilizar mais recursos privados para a infraestrutura, sem abrir mão do papel estratégico dos investimentos públicos. Ele também defendeu uma estratégia de Estado para garantir continuidade aos projetos e disse que a modernização da infraestrutura demanda esforço contínuo, sistemático e de longo prazo.

O levantamento mostra ainda uma mudança na composição do financiamento do setor entre 2010 e 2024. Em valores atualizados para 2024, as fontes privadas passaram de uma média de R$ 88,6 bilhões no período de 2010 a 2014 para R$ 184,5 bilhões em 2024. No mesmo intervalo, os recursos públicos recuaram de R$ 208,5 bilhões para R$ 107 bilhões. A participação privada, que era de 29,3% entre 2010 e 2014, chegou a 61,5% em 2024.

Entre as medidas propostas pela CNI estão estabilidade macroeconômica e fiscal, fortalecimento do mercado de capitais, expansão do crédito privado, aumento da carteira de projetos estruturados para concessões e parcerias, segurança jurídica, previsibilidade regulatória e autonomia técnica das agências reguladoras. O estudo também destaca o papel do BNDES e de outras instituições públicas de desenvolvimento na redução de riscos, estruturação de projetos e mobilização de capital privado.

A análise reúne experiências de Reino Unido, Chile, Austrália, México, Espanha, Índia e França. Segundo a CNI, apesar das diferenças entre os modelos, os países que ampliaram sua capacidade de financiamento da infraestrutura têm em comum estabilidade econômica, instituições confiáveis, previsibilidade regulatória, mercado de capitais desenvolvido e instrumentos de longo prazo.

T LB

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