JOSÉ HENRIQUE MARIANTE
FOLHAPRESS
O dia mais quente da história nos oceanos foi registrado no sábado (22), superando o recorde anterior, estabelecido em março de 2024. Segundo o serviço Copernicus, da União Europeia, que monitora a mudança climática no planeta, a temperatura da superfície dos oceanos (SST, na sigla em inglês), alcançou 21,1°C, acima dos 21,09°C de há dois anos.
É o maior registro desde 1979, quando o conjunto de dados do Copernicus, o ERA5, que existe desde 1940, se tornou mais confiável no âmbito da SST devido ao advento dos satélites.
Segundo os técnicos da instituição, a marca ocorre em linha com o aquecimento de longo prazo dos oceanos e a emergência do El Niño, fenômeno natural cíclico que promete intensificar as anomalias climáticas neste segundo semestre e em 2027.
“Os oceanos estão sob um estresse cada vez maior. O El Niño está adicionando calor ao sistema, e isso ocorre em um contexto de décadas de aquecimento causado pelo homem”, afirma Samantha Burgess, coordenadora do Centro Europeu de Previsões Meteorológicas de Médio Prazo (ECMWF, na sigla em inglês).
“As consequências já são visíveis: o número de dias de ondas de calor marítimo em todo o mundo mais do que triplicou desde o início da década de 1990, exercendo pressão cada vez maior sobre os ecossistemas marinhos e as comunidades que dependem deles.”
O aquecimento dos oceanos é também um importante vetor na ocorrência de eventos climáticos extremos. Águas mais quentes transferem calor e umidade para a atmosfera, fatores que elevam a chance, assim como a potência, de temporais.
Outro efeito deletério de oceanos aquecidos é a diminuição da capacidade de absorção do dióxido de carbono. O sistema é um dos maiores sumidouros de gases de efeito estufa do planeta, absorvendo cerca de 25% das emissões provocadas pela atividade humana, sobretudo pela queima de petróleo, carvão e gás natural.
A marca de sábado chama a atenção pelo momento de sua ocorrência. Em geral, recordes globais de SST são registrados de março a abril, no fim do verão do hemisfério sul. Os meses de junho e julho, de qualquer forma, já tinham sido os mais quentes já registrados nos mares em parte devido ao desenvolvimento do El Niño na porção tropical do Pacífico.
As estimativas do Copernicus não são diferentes das de outras instituições, sugerindo que o fenômeno “poderá atingir níveis não vistos há várias décadas”.
A promessa de um El Niño histórico é precedida por um 2026 já recheado de eventos extremos e desastres correspondentes. Entre outros, uma série inédita de ondas de calor na Europa, com seca e baixo nível de reservatórios e rios; incêndios florestais na porção ocidental do continente, no Canadá e na Indonésia; chuvas intensas na América do Sul e na Ásia.








