Terça-feira, 14/04/26

Com melhora de humor ao longo do dia, Ibovespa vai pela 1ª vez aos 198 mil

Com melhora de humor ao longo do dia, Ibovespa vai pela 1ª vez aos 198 mil
Com melhora de humor ao longo do dia, Ibovespa vai – Reprodução

São Paulo, 13 – O Ibovespa, que operava em baixa desde a abertura, acompanhou a recuperação em Nova York e passou a subir, mesmo que levemente, ainda no começo da tarde, alcançando a inédita marca dos 198 mil no melhor momento. No fechamento desta segunda-feira, 13, mostrava ganho de 0,34%, aos 198.000,71 pontos, não muito distante da máxima do dia, de 198.173,39 pontos, ambas correspondendo a novos recordes. Foi a quarta quebra consecutiva deles, em série iniciada no dia 8, quando o índice da B3 rompeu marcas em vigência desde o fim de fevereiro. E também a 17ª vez em que o Ibovespa renovou recorde, em 2026.

No mês, o Ibovespa avança 5,62%, colocando o ganho do ano a 22,89%. O giro financeiro desta segunda-feira ficou em R$ 33,8 bilhões. A alta desta segunda foi a 10ª consecutiva para o índice da B3, em intervalo iniciado ainda em 30 de março, na penúltima sessão do mês passado.

O ganho de dinamismo em Nova York trouxe a reboque o Ibovespa, colocando o índice a 2 mil pontos do nível psicológico de 200 mil que boa parte do mercado esperava, no princípio do ano, apenas para o fim de 2026. A aceleração de Nova York e, por consequência, na B3 refletiu a perspectiva de distensão entre Estados Unidos e Irã, o que também jogou o dólar à vista para baixo, para aquém de R$ 5,00, e os juros futuros também. Na mínima do dia, o dólar à vista foi a R$ 4,9835, encerrando em baixa de 0,29%, a R$ 4,9970.

“Lá fora virou para o positivo a Bolsa de Nova York e, depois, o Ibovespa acompanhou. Ainda há muito ceticismo do investidor doméstico: o estrangeiro é que está puxando a Bolsa brasileira”, diz Bruno Takeo, estrategista da Potenza. Em Nova York, no fechamento, Dow Jones +0,63%, S&P 500 +1,02%, Nasdaq +1,23%.

Apesar do fracasso das negociações no fim de semana entre Estados Unidos e Irã no Paquistão, na etapa vespertina os mercados globais se agarraram a alguns sinais um pouco mais favoráveis, na margem. No desdobramento mais importante, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o governo norte-americano foi contactado pelo Irã e que o adversário estaria “muito interessado” em fechar acordo com os EUA. Os comentários vieram após o impasse nas negociações entre Washington e Teerã no fim de semana no Paquistão. O governo iraniano ainda não respondeu às falas.

No entanto, apesar das idas e vindas na retórica de Trump, as declarações foram o suficiente para melhorar o desempenho dos ativos, com enfraquecimento do dólar, sinal positivo nas ações em Nova York, mudança de direção nos rendimentos dos Treasuries e avanço mais comportado para os contratos futuros do petróleo, em Londres e Nova York. Na Nymex, o contrato para maio do WTI, referência dos EUA, fechou em alta de 2,6% (US$ 2,51), a US$ 99,08 por barril, enquanto em Londres, na ICE, o barril da referência global, Brent, subiu 4,36% (US$ 4,16), a US$ 99,36, para junho.

Na B3, as ações do setor financeiro foram beneficiadas pela melhora do humor na etapa vespertina, firmando em parte sinal positivo, à exceção de Itaú (PN -0,52%) e, ao fim, também Santander (Unit -0,28%). Destaque para Bradesco (ON +1,08%, PN +0,73%) no fechamento. Desde mais cedo, as perdas do Ibovespa eram mitigadas pelo desempenho das gigantes das commodities: no encerramento, Vale ON +2,07% (na máxima do dia no fechamento, a R$ 87,36); Petrobras ON +1,78%, PN +1,53%. Na ponta ganhadora, Braskem (+7,35%), MBRF (+5,90%) e Vamos (+3,78%). No lado oposto, Copasa (-3,64%), PetroReconcavo (-3,15%) e TIM (-2,79%).

Por outro lado, há a mobilização de navios de guerra americanos na região do Estreito de Ormuz, por onde passam 20% da oferta global de petróleo e que, desde o início da guerra, em 28 de fevereiro, foi praticamente fechado pelo Irã – com poucas exceções, como alguns navios de bandeira da China. Pelo menos dois petroleiros reverteram seu percurso, perto do estreito, após o início do bloqueio dos EUA, sinalizando o impacto inicial nos movimentos de embarcações.

De acordo com a MarineTraffic, uma empresa de análise de dados marítimos, o petroleiro Rich Starry, de 188 metros, deu meia-volta em minutos após se aproximar do ponto de estrangulamento. A embarcação havia partido da ancoragem de Sharjah, nos Emirados Árabes Unidos, em 13 de abril e navegava carregada para a China.

Dólar

Após subir pela manhã diante do impasse nas negociações de paz no Oriente Médio no fim de semana, o dólar se firmou em baixa ao longo da tarde desta segunda-feira, 13, e furou o piso psicológico de R$ 5,00, alinhado ao comportamento da moeda norte-americana no exterior, na esteira declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a possibilidade de um acordo com o Irã.

Com mínima de R$ 4,9835, o dólar à vista encerrou em baixa de 0,29%, a R$ 4,9970 – menor valor de fechamento desde 27 de março de 2024 (R$ 4,9793). A moeda norte-americana acumula desvalorização de 3,51% em abril e de 8,96% no ano. O real, que apresentou o melhor desempenho entre as divisas mais líquidas na semana passada, exibiu nesta segunda ganhos inferiores ao de pares latino-americanos, como o peso chileno e o colombiano.

Em conversa com jornalistas, Trump disse que Teerã entrou em contato com os EUA e se mostrou “muito interessado” em chegar a um entendimento. O republicano reiterou que um acordo é possível apenas se o Irã renunciar ao seu programa nuclear. A fala de Trump desfez o mau humor que reinou no início dos negócios, quando investidores assimilavam decisão dos EUA de bloquear os portos iranianos.

Para o head da Tesouraria do BS2, Ricardo Chiumento, apesar das incertezas que ainda pairam sobre as negociações entre EUA e Irã, os preços dos ativos mundo afora parecem incorporar a percepção de que “o pior já ficou para trás” no conflito no Oriente Médio.

“Trump sentiu a pressão e teve que recuar após falar em destruir uma civilização com novos ataques ao Irã. Isso trouxe uma melhora do cenário externo que beneficiou o real. Com a entrevista do Trump hoje sobre negociações, o dólar furou os R$ 5,00 e, se não houver nenhuma notícia desfavorável hoje à noite, deve ir para a casa de R$ 4,97 amanhã”, diz Chiumento, nesta segunda-feira.

Segundo informações da CNN, o governo Trump discute internamente os detalhes para uma potencial segunda reunião presencial com autoridades iranianas antes que o cessar-fogo entre Washington e Teerã expire na próxima semana. Genebra e Islamabad estão novamente na mesa como opções potenciais para outra rodada.

Termômetro do comportamento do dólar em relação a uma cesta de seis moedas fortes, o índice DXY, que havia superado os 99,100 pontos pela manhã, girava ao redor de 98,380 pontos no fim do dia, em queda de cerca de 0,30%. Entre divisas emergentes, destaque para o florim húngaro, com ganhos de mais de 3% após a derrota do primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orbán, nas eleições parlamentares de domingo.

As cotações do petróleo fecharam em alta, mais abaixo da marca de US$ 100 o barril, ultrapassada pela manhã. O contrato do WTI para maio subiu 2,6%, a US$ 99,08. Já o Brent para junho – referência de preços para a Petrobras – avançou 4,36%, a US$ 99,36. Circularam informações de que pelo menos dois petroleiros reverteram seu percurso perto do Estreito de Ormuz, após o início do bloqueio dos EUA.

O estrategista-chefe da Avenue, Willian Castro Alves, ressalta que o Brasil parece “relativamente bem posicionado” no quadro atual, uma vez que o país “é exportador líquido relevante” de petróleo. A valorização da commodity tende a se traduzir em aumento do saldo em balanço comercial e, por tabela, em melhora das contas externas.

“Além disso, a bolsa brasileira está barata em termos relativos e temos taxa Selic próxima de 15%. Em um momento de realocação tática global, esses fatores fazem o dinheiro fluir para ativos domésticos”, afirma Castro Alves.

À tarde, a Secretaria de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) informou que a balança comercial acumula superávit de US$ 6,748 bilhões nas duas primeiras semanas de abril – um crescimento de 151,6% em relação a igual período do ano passado, com grande avanço em indústria extrativa, que abrange a conta petróleo. O saldo parcial em abril já é maior que o observado nos meses fechados de janeiro (US$ 3,732 bilhões), fevereiro (US$ 4,038 bilhões) e março (US$ 6,405 bilhões).

Em relatório, o Goldman Sachs afirma que, passando o momento inicial de alívio na percepção de risco, os termos de troca vão passar a ter um papel “cada vez mais relevante” no apetite por divisas emergentes. A perspectiva de estrategistas de commodities do banco é a de que as cotações do petróleo não voltem aos níveis vistos antes da eclosão da guerra.

“Em um cenário em que haja apetite ao risco e manutenção dos preços de energia em níveis elevados, o real e o peso mexicano devem ter um desempenho relativo superior”, afirma o banco.

Juros

À exceção dos vértices curtos, todos os vencimentos da curva de juros futuros inverteram a alta observada até a primeira etapa da sessão e passaram a recuar ao longo da tarde, embalados pelas declarações do presidente dos EUA, Donald Trump, que reacenderam o otimismo sobre as negociações entre Washington e Teerã. Trump declarou que o Irã entrou em contato mais cedo nesta segunda-feira, 13, com os EUA, com muito interesse em alcançar um consenso. As taxas mais curtas, por sua vez, reduziram o fôlego mas seguiram em viés de alta, pressionadas pela desancoragem das expectativas inflacionárias.

No fechamento, a taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2027 oscilou de 14,06% no ajuste anterior para 14,1%. O DI para janeiro de 2029 caiu a 13,315%, vindo de 13,368% no ajuste. O DI para janeiro de 2031 cedeu de 13,427% para 13,35%.

Depois do fracasso das negociações entre Washington e Teerã no final de semana, Trump relatou que o Irã entrou em contato com os EUA nesta manhã, e que o país estaria “muito interessado” em alcançar um acordo.

Ainda que sem resposta oficial do governo iraniano, os comentários do republicano aliviaram instantaneamente os ativos de risco, com destaque para o dólar, que furou o piso psicológico de R$ 5,00. Todos os vértices intermediários e longos da curva a termo viraram para o campo negativo em seguida, renovando mínimas intradia. As taxas mais curtas, que subiram pela manhã também devido à deterioração das expectativas inflacionárias, resistiram no terreno positivo, oscilando entre estabilidade e viés de alta.

O petróleo arrefeceu ganhos com as novas sinalizações de Trump e encerrou a sessão pouco abaixo de US$ 100 o barril no caso do Brent (+4,36%), que serve de referência para a Petrobras. Após as tratativas entre EUA e Irã em Islamabad, capital do Paquistão, não terem sido bem-sucedidas, Trump ameaçou nesta manhã fechar totalmente o estreito de Ormuz e anunciou que todos os portos iranianos estão bloqueados, o que manteve as cotações da commodity energética sob pressão.

Com o Irã aparentemente mais aberto ao diálogo e perspectivas de conversas ao longo da semana entre os dois lados do conflito, o mercado acalmou os nervos, com esperança renovada de que haja um acordo relacionado ao estreito para conter a disparada do petróleo, diz Luciano Rostagno, economista-chefe da EPS Investimentos.

Rostagno observa, porém, que a melhora do humor nos mercados veio basicamente das falas de Trump e de notícias sobre uma possível nova tentativa de negociações entre Washington e Teerã esta semana, também no Paquistão. “Mas ainda é difícil ler a estratégia iraniana. Não sabemos quem está dialogando”, ressalvou.

Por aqui, a inflação oficial de março, que superou o teto das estimativas ao avançar 0,88%, provocou uma rodada de revisões para cima nas estimativas para a alta do IPCA deste ano e, em menor grau, do próximo. No boletim de Focus desta segunda-feira, a projeção para o IPCA de 2026 saltou de 4,36% a 4,71%, agora superando, portanto, o teto da meta inflacionária, de 4,5%. A previsão para 2027 aumentou pela terceira semana consecutiva, a 3,91%.

A Warren Investimentos passou a esperar alta de 4,8% para o índice deste ano, de 4,5% anteriormente. Em nota, a Warren apontou que o desvio ante sua projeção foi concentrado em alimentos mais sensíveis aos efeitos da guerra no Oriente Médio. A piora no IPCA, porém, não decorreu somente do impacto do conflito, “mas também de uma deterioração já observada desde fevereiro”.

“Com as expectativas desancoradas, os DIs curtos estão ainda resistindo a uma queda. O espaço para o Banco Central cortar juros vai ficando reduzido”, avalia Rostagno, da EPS. Em seu cenário, a Selic terminará o ano em 12,5%, mas o economista pondera que o quadro é ainda bastante incerto e que, se o conflito se prolongar, a tendência é que a inflação teste o limite superior da meta.

Estadão Conteúdo

T LB

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