Quinta-feira, 20/08/26

Comissão da Câmara aprova projeto que prevê uso supervisionado de IA na segurança pública

Comissão da Câmara aprova projeto que prevê uso supervisionado de IA na segurança pública
Comissão da Câmara aprova projeto que prevê uso supervisionado de – Reprodução

Coronel Meira recomendou a aprovação do projeto, com mudançasFoto: Renato Araújo / Câmara dos Deputados

A Comissão de Ciência, Tecnologia e Inovação da Câmara dos Deputados aprovou projeto que estabelece regras para o uso de ferramentas de inteligência artificial (IA) no Sistema Único de Segurança Pública. A medida visa prevenir infrações penais e exige supervisão humana nas operações.

O texto aprovado é a versão do relator, deputado Coronel Meira (PL-PE), para o Projeto de Lei 4356/25, do deputado licenciado Romero Rodrigues (PB). A nova redação contempla ainda outra iniciativa analisada em conjunto (PL 6248/25).

“O substitutivo adota um modelo regulatório baseado em risco e finalidade, em vez de parâmetros rígidos e uniformes, determinando a previsão da supervisão humana obrigatória em todas as ações e decisões produzidas a partir de IA”, afirmou o relator.

Autorizações e proibições

A versão elaborada por Coronel Meira autoriza o uso da inteligência artificial para analisar comunicações interceptadas legalmente e para reconhecimento facial em áreas de risco.

Por outro lado, o texto proíbe a execução automática de prisões e apreensões, se não houver intervenção humana qualificada.

Também ficam proibidos:

  • a vigilância em massa sem ordem judicial;
  • o monitoramento focado em opinião política, religião ou orientação sexual; e
  • a criação de conteúdos falsos com o intuito de difamar ou manipular processos democráticos.

Sem metas rígidas

O relator excluiu do texto:

  • as metas rígidas de precisão previstas na redação original para ferramentas tecnológicas; e
  • a proibição de acesso a recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública, se aqueles parâmetros não fossem cumpridos.

Para Coronel Meira, o excesso de rigidez poderia prejudicar os órgãos de segurança.

Responsabilidade e transparência

Conforme o texto aprovado, o agente público não será responsabilizado de forma exclusiva por erros decorrentes do uso de ferramentas de IA, salvo em casos de dolo comprovado ou uso indevido.

O fornecedor da tecnologia, no entanto, responderá subsidiariamente por defeitos graves no sistema.

Para assegurar o controle, os órgãos deverão manter registros auditáveis e disponibilizar relatórios anuais de desempenho.

A proposta prevê ainda que o Congresso Nacional revise a futura lei a cada dois anos, garantindo atualização frente aos avanços tecnológicos.

Próximos passos

O projeto ainda será analisado em caráter conclusivo pelas comissões de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado; de Finanças e Tributação; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Para virar lei, o texto terá de ser aprovado pela Câmara e pelo Senado.

T LB

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