A Comissão Permanente Mista de Combate à Violência contra a Mulher reuniu representantes do poder público e da sociedade civil na quarta-feira (16) para discutir políticas de proteção e estratégias eficazes contra a violência de gênero em eleições e ambientes virtuais. O encontro deu continuidade ao seminário sobre o fortalecimento da Rede de Enfrentamento à Violência contra Meninas e Mulheres.
A antropóloga e pesquisadora da Universidade de São Paulo, Beatriz Accioly, alertou para o uso de novas tecnologias, como a inteligência artificial, na produção e disseminação de imagens sem consentimento contra mulheres. Ela defendeu que a responsabilização não deve se limitar aos produtores de conteúdo, mas estender-se às plataformas que facilitam sua circulação.
“A gente tem que olhar para como esse ambiente funciona, para as plataformas, para os incentivos que organizam a circulação. Esse tipo de conteúdo gera engajamento e valor. Sem esse nível de análise, a responsabilidade fica só com o usuário e a gente deixa de olhar para a estrutura que torna isso possível. A discussão sobre regulamentação de plataformas não é periférica”, afirmou a pesquisadora.
O debate foi solicitado pela deputada Luizianne Lins (Rede-CE), que enfatizou a importância da integração entre os Poderes para avançar nas políticas de combate à violência contra a mulher. “É preciso respeito. Estamos criando esse espaço de diálogo, mas também avançando em ações concretas, com articulação entre o Judiciário, o Legislativo e o Executivo”, declarou.
Janara Kalline, representante do Ministério das Mulheres, destacou que a internet ainda não é um ambiente seguro para mulheres, com a violência digital crescendo de forma acelerada e afetando principalmente meninas e mulheres jovens. Ela mencionou iniciativas do ministério, como a capacitação de atendentes do Ligue 180 para lidar com denúncias de crimes virtuais.








