Sexta-feira, 24/04/26

Congresso debate uso de inteligência artificial e inovações na saúde pública

Congresso do IgesDF Debates sobre Inteligência Artificial na Saúde Pública

O V Congresso de Inovação, Ensino e Pesquisa (Ciep 2025), organizado pelo Instituto de Gestão Estratégica de Saúde do Distrito Federal (IgesDF), encerrou sua programação na última quarta-feira (19). O evento, que começou na segunda-feira (17), abordou o tema central “Conectando Saberes e Tecnologias para o Futuro da Saúde”. Ele reuniu autoridades, especialistas e profissionais para discutir os avanços que impulsionam a área da saúde pública.

Os debates focaram em como novas tecnologias, pesquisas e ferramentas digitais podem fortalecer o atendimento e modernizar o Sistema Único de Saúde (SUS). A programação destacou diversos temas fundamentais ao longo do dia, proporcionando um ambiente rico para troca de conhecimentos.

Temas Centrais e Perspectivas

Entre os tópicos abordados, destacaram-se:

  • O uso de inteligência artificial na saúde;
  • Inovações para o diagnóstico precoce de câncer;
  • Terapias genéticas e avanços em cardiologia;
  • Desafios regulatórios e jurídicos na área da saúde.

A estudante de Nutrição Edna Albuquerque acompanhou a programação e expressou seu contentamento com os conteúdos. Ela afirmou que “Os temas estão sempre interligados e se conectando, e essas palestras estão abrindo mais a minha mente, me deixando mais segura”.

Pesquisas Oncológicas e o Papel da Inteligência Artificial

No último dia do congresso, a abertura dos trabalhos ficou a cargo do oncologista Gustavo Ribas, gestor da Secretaria de Saúde (SES-DF). Ele apresentou as atualizações mais recentes sobre pesquisas de câncer de pulmão. Em seguida, Mônica Iassanã, diretora-geral do Complexo Regulador em Saúde do DF, enfatizou a importância e os desafios da regulação na saúde.

Um dos temas centrais abordou o uso de inteligência artificial (IA) para aprimorar processos assistenciais. Nilton Correia da Silva, pesquisador líder do Laboratório de Inteligência Artificial da Universidade de Brasília (UnB), ressaltou o potencial da tecnologia. Ele destacou como a IA pode aperfeiçoar fluxos e reduzir a burocracia hospitalar, liberando tempo para os profissionais se dedicarem mais aos pacientes.

O pesquisador também destacou a integração de sistemas como um dos principais potenciais da tecnologia. Ele explicou que, na área da saúde, é comum a necessidade de interagir com vários sistemas diferentes. A IA, por meio da tecnologia, pode criar formas para que essas plataformas conversem entre si, organizando e alimentando dados de maneira mais eficiente.

Apesar de reconhecer o potencial da IA, Nilton Correia da Silva reiterou que a tecnologia não substitui o trabalho humano. Ele completou: “Sempre vai haver a necessidade da verificação humana. Não podemos depender cegamente da tecnologia.”

Tecnologias que Impulsionam a Saúde

Na palestra “Da Inovação à Prática: A Incorporação da Robótica e de Novas Tecnologias no SUS”, o cirurgião torácico Daniel Sammartino abordou o impacto do avanço tecnológico. Ele destacou como a precisão e a eficiência do diagnóstico oncológico foram ampliadas por novas ferramentas, que permitiram melhorar a detecção e a avaliação do estágio do câncer no momento do diagnóstico.

De acordo com o especialista, a taxa de sobrevivência de pacientes diagnosticados tardiamente com câncer de pulmão é de cerca de 20% após cinco anos. Este percentual representa um avanço em relação aos 15% registrados anteriormente, atribuído principalmente à detecção precoce viabilizada por exames mais modernos.

Terapias Genéticas e Avanços em Cardiologia

Outro ponto de destaque no último dia do Ciep 2025 foi o bate-papo sobre terapias gênicas. O encontro reuniu:

  • Ana Karine Bittencourt, diretora-presidente do Instituto Deaf1;
  • Ricardo Titze, coordenador do laboratório de tecnologia para terapia gênica da UnB;
  • Raphael Bonadio, pesquisador da UnB;
  • Naiara Freire, empresária.

Esses especialistas discutiram o potencial de tratamentos baseados em genética para doenças raras e para o transtorno do espectro autista. A programação também dedicou um espaço significativo à cardiologia, abordando importantes avanços e desafios.

O cardiologista Diandro Marinho Mota discutiu a importância da espiritualidade no tratamento cardiovascular. Em seguida, Gabriel Kanhouche, chefe da Hemodinâmica do Hospital de Base do DF, apresentou a evolução das cirurgias transcateter. Gabriela Thevenard, chefe do Serviço de Cardiologia do HBDF, enfatizou os resultados de projetos que melhoraram a comunicação entre as equipes médicas. O cardiologista e coordenador do Programa de Transplante Cardíaco do Instituto de Cardiologia e Transplantes do DF (ICTDF), Marcelo Ulhoa, ofereceu um panorama sobre os desafios do transplante de coração no país.

Judicialização da Saúde e Encerramento

A programação continuou com um debate sobre a judicialização na saúde, mediado por Rodolfo Lira, diretor de Atenção à Saúde do IgesDF. Os participantes incluíram a cardiologista Edna Maria, a promotora de Justiça Hiza Maria e Túlio Cunha, da Superintendência Jurídica do IgesDF. Eles discutiram as repercussões legais e assistenciais das decisões judiciais na rotina dos serviços, um tema crucial para a saúde pública.

Para o encerramento das atividades, o doutor em Biofísica Diego Nolasco proferiu a palestra “Pense como um Cientista”. Ele destacou a importância da curiosidade, da pesquisa e da análise crítica no desenvolvimento de soluções inovadoras para a saúde. Esta edição do Ciep alcançou seu maior público, com mais de 1.800 inscritos, consolidando-se como uma referência em inovação e uso da inteligência artificial na saúde pública do Distrito Federal.

Organização e Apoio do Evento

O Ciep 2025 foi organizado pela Agência Sisters e teve o apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa do Distrito Federal (FAPDF). O evento contou com patrocínio da Financeira BRB e parceria das empresas AstraZeneca, Noxtec, Brakko, Concimed, Alabia, B2IF e Infinity Medical. Adicionalmente, recebeu apoio institucional da Caesb, Hospcom, Instituto Deaf1 e Samu. Para mais informações sobre iniciativas de saúde e bem-estar, pode-se consultar o Ministério da Saúde.

Por Correio de Santa Maria, com informações do Governo do Distrito Federal – GDF

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