Sábado, 06/12/25

COP30 tem troca de acusações sobre combustíveis fósseis

COP30 tem troca de acusações sobre combustíveis fósseis
COP30 tem troca de acusações sobre combustíveis fósseis | Imagem: reprodução

Discussão sobre o Abandono de Combustíveis Fósseis Marca COP30

A eventual saída dos combustíveis fósseis bloqueia, nesta sexta-feira (21), um acordo na conferência climática da ONU (COP30), em Belém. Cerca de 30 países mostram-se críticos ao esboço proposto pela presidência brasileira, que não faz menção ao assunto.

Nas horas finais da primeira COP na Amazônia, vieram também à tona falhas de segurança. Os incidentes ocorreram no dia seguinte a um incêndio no recinto da conferência, que paralisou as negociações e obrigou a evacuar milhares de participantes.

Impasse nas Negociações Climáticas

A presidência brasileira do evento apresentou um projeto de acordo no qual a palavra “fósseis” não aparece. Em um esboço anterior, havia uma menção a uma saída dos combustíveis responsáveis pela imensa maioria dos gases de efeito estufa.

Um comissário europeu para o Clima afirmou que “claramente, não há um acordo sobre a mesa”. Uma fonte da delegação espanhola resumiu que “a situação é fatal”, alegando que a presidência brasileira se recusa a que haja acordo para um mapa do caminho que leve ao fim da dependência das energias de origem fóssil.

O presidente da COP30 instou à obtenção de um compromisso, alertando que, caso contrário, aqueles que duvidam do multilateralismo “vão ficar absolutamente encantados”. A ministra do Meio Ambiente interveio, destacando que “o tempo não pode ser um impedimento para que se faça o debate necessário”.

Uma nova reunião de negociação está prevista para as 17h desta sexta-feira, o último dia oficial do encontro. As Conferências das Partes (COPs) sobre mudança climática costumam, frequentemente, ultrapassar seus prazos estabelecidos.

O Abandono Global dos Combustíveis Fósseis

Os quase 200 países membros desta conferência da ONU sobre as mudanças climáticas aprovaram, há dois anos, na COP28 de Dubai, um chamado histórico para abandonar progressivamente os combustíveis fósseis, ou seja, o gás, o petróleo e o carvão.

Embora não estivesse previsto, o presidente do Brasil propôs em Belém dar um passo adiante para iniciar esse processo delicado. Essa iniciativa ocorre apesar da oposição de produtores poderosos, como a Arábia Saudita, e de muitos países emergentes que são consumidores.

Os Estados Unidos, país que é o principal produtor de petróleo do mundo atualmente, sequer estão presentes em Belém. A ministra colombiana do Ambiente, representando cerca de trinta países, declarou em coletiva de imprensa que a conferência pode terminar “sem um mapa do caminho claro, justo e equitativo para abandonar os combustíveis fósseis no mundo”.

A ministra anunciou que seu país vai organizar uma conferência internacional para impulsionar o abandono dessa fonte de energia em 28 e 29 de abril do próximo ano, em Santa Marta. Uma ministra francesa de Transição Ecológica declarou que os principais bloqueadores são os países produtores de petróleo, como Rússia, Índia, Arábia Saudita, mas também muitos países emergentes.

Irregularidades na Segurança e Incidentes na COP30

A Polícia Federal revelou, nesta sexta-feira, irregularidades na segurança do evento. Durante “as últimas semanas”, controles da Polícia Federal levaram à “identificação de empresas clandestinas realizando vigilância patrimonial e segurança de evento sem autorização”, segundo uma nota oficial.

A investigação levou ao “encerramento de duas empresas clandestinas que atuavam de forma irregular em polos” da cúpula da ONU. Essas empresas utilizavam detectores de metais e rádios de comunicação “indevidamente”.

Esta é a primeira COP realizada na Amazônia. O recinto no chamado Parque da Cidade, construído especialmente para o evento, sofreu, na quinta-feira, um incêndio. O incidente danificou parte da zona dos pavilhões nacionais, perto da entrada.

A COP30, que começou em 10 de novembro, registrou vários incidentes. A presidência brasileira da COP recebeu, na semana passada, uma queixa da ONU depois que um protesto indígena forçou o dispositivo de segurança para entrar no recinto. Na carta, o chefe da ONU para o Clima se queixou da segurança, mas também das infiltrações de água, que, segundo o governo brasileiro, foram corrigidas.

Por Correio de Santa Maria, com informações da Agência Brasil.

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